Segurança e Privacidade

Em novo ataque, Anonymous derruba páginas da prefeitura de Barcarena, no Pará

18/10/21 19h29, atualizada em 18/10/21 19h42
manifestante com máscara usando camiseta escrito occupy all streets em protesto nos estados unidos junto a diversas pessoas mascaradas

Definindo-se como grupo apolítico com tendências anarquistas, EterSec explica que Anonymous age em defesa da democracia e liberdade do povo (Imagem: a katz/Shutterstock)

A célula internacional EterSec, dos Anonymous, realizou um novo ataque contra a prefeitura de Barcarena, no Pará. O coletivo de ativistas hackeou uma série de serviços municipais e publicou uma mensagem contra a administração da cidade, que expulsou abruptamente os moradores da comunidade quilombola sítio Conceição na última sexta-feira (14/10) em meio a pandemia da Covid-19.

O primeiro ataque, realizado ontem (17/10), derrubou a página principal da prefeitura, bem como a das secretarias de comunicação, agricultura, infraestrutura e os portais da transparência local. O município retomou o site principal no começo do dia, derrubado uma segunda vez pelos ciberativistas hoje (18/10) por volta do meio-dia, que durou até por volta das 18h.

Até o fechamento da reportagem, o site permanece em manutenção. Parte da mensagem pode ser acessada na íntegra através do Wayback Machine.

No lugar dos serviços, os ativistas realizaram um defacement — uma espécie de “pichação virtual” na página da prefeitura. Na mensagem, os Anonymous publicaram uma crítica ao prefeito de Barcarena, Renato Ogawa, exigindo a restituição e indenização das vítimas.

“As terras das quais as pessoas estão sendo expulsas vêm sido invadidas pelo Estado, que deveria representar estas mesmas pessoas. Enquanto isso, fica claro que o governo atua em benefício de alguns poucos indivíduos.”

Prefeitura cedeu terreno a empresa de saneamento sem autorização

As ações dos Anonymous contra a prefeitura de Barcarena vão ao encontro da manifestação do Ministério Público Federal (MPF), que se posicionou contra o despejo realizado na última sexta-feira.

Ao todo, quatro famílias residentes no sítio Conceição foram despejadas por agentes das polícias Civil e Militar, bem como representantes da administração municipal. Suas casas foram completamente destruídas na operação do governo. O terreno de 3.600 m² abriga cerca de 200 famílias quilombolas que, no momento estão cercadas pelas autoridades, segundo o Brasil de Fato.

O MPF afirma que a destituição dos moradores é ilegal, e que a Secretaria de Patrimônio da União (SPU) doou terrenos indevidamente ao município — que concedeu a área para a construção de uma estação de tratamento de esgotos (ETE) sem consulta aos moradores.

Em documento, a instituição exige a revogação do caráter urgente da obra, e indenização das vítimas do local.

Anonymous continuará ações contra prefeitura de Barcarena

Segundo os ativistas do Anonymous, as ações contra a prefeitura de Barcarena não são apenas imorais, mas também ilegais. O despejo passa por cima da Lei Estadual N. 9.212, que proíbe a destituição de lares durante a pandemia.

“O absurdo se torna maior ainda quando nem mesmo a lei criada por esse mesmo Estado é respeitada. A ação não foi apenas imoral ou desumana. Ela foi anticonstitucional”, afirmam os ativistas em nota à imprensa. “Desrespeitou a decisão de não haver despejos durante a maior crise sanitária da história. Ignorou que esta comunidade já havia sido reconhecida anteriormente e que a posse da terra estava em processo de titulação.”

Quando questionados nas redes sociais sobre a eficácia do defacing, o Anonymous informou que “muitas informações são pegas” em uma operação, e que próximas ações podem estar em curso.

Ao Olhar Digital, a EterSec comunicou que destinará mais ações ao território brasileiro, em municípios “onde o empresário, doutor ou politico manda como rei”. E que, no momento, está descobrindo relações de corrupção no poder público local.

Sim, existem outros elementos envolvendo o atual prefeito em acordos com empresas e desvios de verbas. Pretendemos ficar um tempo agindo em várias regiões do Brasil que muitas vezes estão vinculadas a uma relação de poder econômico e estão alheios a lei.

Célula EterSec, dos Anonymous, em depoimento ao Olhar Digital

Imagem: a katz/Shutterstock

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