A China reforçou a informação de que um teste de lançamento recente foi de uma nave espacial, e não de um “míssil hipersônico”, ao contrário do que afirmaram fontes da imprensa norte-americana ligadas ao governo dos EUA.

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Ontem (18), o Olhar Digital veiculou a repercussão de uma matéria publicada pelo Financial Times, que citou fontes do governo americano ao alegar que a China havia testado o lançamento de um míssil hipersônico de capacidade nuclear. O tal míssil teria dado uma volta na Terra antes de errar, por pouco, o alvo do suposto teste, mas a matéria não indicou qual seria esse alvo.

Imagem mostra lançamento de foguete com nave espacial acoplada na China
China estaria testando capacidade de reuso de foguetes e naves espaciais, mas governo americano entendeu avaliação como sendo de um artefato militar (Imagem: China Aerospace Science and Technology Corporation)

A matéria provocou reações no mundo inteiro, com especialistas ouvidos pela imprensa global afirmando que a tecnologia não é necessariamente nova, e que, se a China tivesse executado um teste militar deste nível, ela estaria apenas seguindo um curso já tomado por outros países – incluindo Rússia, Índia e os próprios EUA. Fontes do Financial Times, que preferiram o anonimato por pertencerem ao governo americano, disseram que a inteligência do país foi pega de surpresa e que eles não saberiam “como se defender de um ataque assim”.

“Não era um míssil, mas sim uma nave espacial”, disse Zhao Lijian, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, durante uma coletiva de imprensa em Beijing. O porta-voz também acrescentou que a ocasião, que teria ocorrido em julho deste ano (ao contrário de “agosto”, dito pelo Financial Times), era apenas um “teste de rotina” que tinha por objetivo avaliar a capacidade de reutilização de um veículo após uma viagem pela órbita da Terra.

A reutilização de veículos espaciais é um dos pontos de maior interesse da indústria aeroespacial. Dependendo do tipo de lançamento, propulsores e transportes espaciais tendem a fazerem “viagens só de ida”, ficando à deriva no espaço ou com vários de seus estágios caindo de volta à Terra, destruídos pelo processo de reentrada.

O problema é que o uso desses artefatos exige investimentos bem altos: segundo afirmou a Nasa em dezembro de 2019, um único lançamento do Projeto Artemis – que levará o homem de volta à Lua – pode custar cerca de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,92 bilhões) – e isso apenas para lançar o foguete, sem contar custos de desenvolvimento de sistemas, a construção de módulos de pouso ou atualização de trajes espaciais.

Paralelo a isso, Elon Musk, CEO e fundador da SpaceX, disse no mesmo ano que um lançamento da SpaceX custa “cerca de 1%” do que a Nasa paga, com o benefício de que atualmente todos os lançamentos da empresa envolvem objetos reutilizáveis, o que é uma economia considerável de custo.

A China também observou essa vantagem, e tem investido com força em seu próprio programa espacial: recentemente, a Administração Nacional Espacial Chinesa (CNSA) enviou três novos “taikonautas” – o termo do país para “astronautas”- em direção à Tiangong, a sua estação espacial que, hoje, consiste apenas do módulo principal, mas que deve receber mais partes de sua estrutura nos próximos meses.

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