Sobrepeso, sedentarismo, consumo exagerado de álcool e de cigarro, maternidade depois dos 30 anos, ter mais de 40… Essas são algumas das condições mais comuns entre as pessoas diagnosticadas com câncer de mama, o segundo com maior número de incidências no Brasil (atrás apenas do câncer de pele). 

Mas, isso quer dizer que quando a mulher não se enquadra em nenhum desses perfis, não é preciso se preocupar? Não é bem assim.

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Ao conhecer a história da Relações Públicas e influencer Leticia Prates, de 33 anos, você abrirá sua mente e entenderá que, embora existam os chamados grupos de risco para a doença, ninguém está totalmente isento de contraí-la. 

Letícia Prates aos 25 anos, quando foi diagnosticada com câncer de mama (esquerda). Hoje, aos 33, totalmente livre da doença. Imagem: Arquivo pessoal

“Fui diagnosticada aos 25 anos e estou aqui pra dizer que uma em cada 10 mulheres tem ou vai ter câncer de mama”, declarou Letícia em entrevista ao Olhar Digital. “É muita gente, e a doença está cada vez mais comum entre jovens”. 

Segundo Letícia, exatamente pela pouca idade com que percebeu uma “bolinha” em seu seio esquerdo, a primeira médica com quem se consultou, sua ginecologista desde a adolescência, não considerou a possibilidade de um tumor. “Pare de ser hipocondríaca”, teria dito, em tom de brincadeira, para acalmar a paciente, que insistia em remover o caroço. 

“Depois de muita insistência de minha parte, ela concordou em fazer uma cirurgia para remover essa bolinha, que crescia em larga escala. Durante a cirurgia, o patologista já notou que se tratava de um câncer e pediu exames específicos. Em 15 dias, tive o resultado desses exames, que comprovaram que eu tinha um carcinoma invasivo grau 2”, relata a jovem.

Ela conta que estava tão ansiosa para retirar logo aquilo de seu corpo, que nem teve tempo de sentir o impacto estético da cirurgia. “Eu estava tão nervosa pra tirar logo o câncer de mim, que achei um alívio”, recorda-se. “Logo, já fiz a reconstrução”. 

“Claro que não é o sonho de ninguém perder um pedaço de si, qualquer que seja, na juventude. Principalmente, a mama para uma mulher”, diz Letícia. “Mas é super possível e importante manter o amor próprio e a autoestima, independentemente do seu corpo físico”, acredita. “Afinal, ser ‘gostosa’ é um estado de espírito e não um formato de corpo”. 

Ideia de criar websérie surgiu da falta de referências jovens que tinha na época em que descobriu o câncer

Letícia conta sua história em uma websérie de sete episódios em seu perfil no Instagram: “As 7 etapas do Câncer”, que também está disponível no YouTube. 

Por causa desse trabalho, ela foi convidada pela Câmara Municipal de São Paulo para ser protagonista de uma outra série, chamada “A Caminho da Remissão”, material que faz parte da campanha Outubro Rosa da casa legislativa.

“A websérie ‘As 7 etapas do câncer’ foi a maneira que encontrei de compartilhar minha história e reunir jovens com câncer para formar uma rede de apoio. Lá em 2014, eu busquei outros jovens com a doença e não localizei. Pretendo ser a ‘amiga veterana de guerra’ que desejei ter quando tive o diagnóstico e durante o tratamento”, explica Letícia, que hoje tem cerca de 1,4 mil seguidores. 

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“Pela iniciativa da websérie e pela forma diferente com que falo sobre o tema, recebi esse convite da Câmara, para fazer uma série adaptada em três episódios”. Segundo Letícia, a série, que está disponível no canal da Câmara no YouTube, está programada para ser transmitida nos três últimos domingos deste mês. O primeiro episódio já está no ar, além do teaser abaixo.

Nas duas webséries, Letícia conta sua história, desde o diagnóstico até hoje, além de fornecer informações importantes sobre o câncer de mama, para conscientização da população. 

“Graças aos avanços da ciência e ao SUS”, Letícia está zerada

Depois de passar por diversos ciclos de quimioterapia, radioterapia, metástase nos ossos e linfonodos, atualmente Letícia está totalmente “zerada”, em suas palavras. “Sigo zerada graças aos avanços da ciência e ao SUS (Sistema Único de Saúde)”, revela a jovem.

Em tratamento quimioterápico contra o câncer, Letícia perdeu os cabelos. Imagem: Arquivo pessoal

“Hoje em dia, 95% dos casos de mama são curáveis quando detectados no começo. Sendo assim, hoje você tem 95% de chance de sobreviver ao câncer de mama com os novos tratamentos”, afirma Letícia, ressaltando que o câncer é uma doença crônica, como diabetes, hipertensão ou asma, logo, não tem cura. “Porém, é possível deixar a doença inativa por muitos anos e seguir uma vida completamente saudável. Eu sou muito mais saudável depois do câncer, cuido melhor da minha alimentação e faço exercícios físicos regularmente, por exemplo”. 

Letícia alerta sobre a importância do autoexame das mamas. “O autoexame é importantíssimo. Por meio dele, a pessoa passa a conhecer melhor seu próprio corpo, o que permite perceber qualquer alteração o quanto antes. Mas, ele não substitui a mamografia e/ou o ultrassom, que devem ser realizados anualmente, e, diria eu, não espere os 40 para fazer”.

Mesmo nos momentos mais difíceis de sua luta contra a doença, Letícia procurou manter o bom humor e a tranquilidade, principalmente por causa do pai, Jaime, que já havia enfrentado – com sucesso! – um câncer (no intestino, com metástase dez anos depois), e da mãe, Luciana, que alguns anos depois também recebeu o mesmo diagnóstico dele.

Mesmo com esse histórico familiar, Letícia conta que, no seu caso, o câncer de mama não foi hereditário. Ela soube disso fazendo uma investigação genética.

Cheia de sonhos a realizar e objetivos a alcançar na vida, Letícia é um exemplo de superação e autocuidado: “Costumo dizer que ninguém escolhe onde vai nascer, que cara vai ter, altura, cor dos olhos,  nem as cicatrizes que vai ganhar ao longo da vida. Ou seja, nossa aparência não é escolhida por nós. A gente escolhe ser bacana ou babaca. Tem gente que escolhe ser babaca e julgar pessoas por coisas que elas nem escolheram. Eu prefiro a essência da vida, as escolhas que cada um faz, quando uma situação se apresenta. Você pode escolher chorar, desistir, sorrir, cantar, dançar. Enfim, somos seres únicos. Eu acho isso lindo! Até mesmo gêmeos idênticos têm diferenças. Só existe uma Letícia Prates no mundo, essa sou eu, meu corpo e essa é minha história, da qual tenho orgulho”. 

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