Ciência e Espaço

Agora vai? Nasa e Boeing podem ter chegado à solução do problema do Starliner

Por Rafael Arbulu, editado por Rafael Rigues
20/10/21 13h15, atualizada em 21/10/21 12h14

Imagem: NASA/Cory Huston/Divulgação

Desde agosto, um problema em válvulas de combustível mantêm a espaçonave Starliner no chão, mas a Boeing e a Nasa parecem ter – finalmente – encontrado uma solução para ele.

Originalmente, a nave Starliner deveria ser lançada em 3 de agosto de 2021, em uma missão de teste de voo orbital – um passo extremamente importante para que qualquer transporte do tipo consiga o aval da Nasa para participar de missões rumo à Estação Espacial Internacional (ISS).

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Entretanto, algumas horas antes do lançamento, 13 das 24 válvulas que convertem a energia do gás hélio pressurizado em movimento mecânico de rotação estavam travadas em posição semi aberta, o que impediu que a nave partisse.

A cápsula da nave Starliner, da Boeing, deveria ter ido ao espaço em agosto, mas problemas de válvulas impediram que ela saísse do chão e planos foram adiados indefinidamente (Imagem: Boeing/Divulgação)

Em termos mais leigos: algumas válvulas que deveriam estar fechadas, estavam abertas, e não voltavam à posição que deveriam. Depois de uma extensa investigação, a Nasa e a Boeing parecem ter encontrado o culpado: um processo de interação entre o oxidante usado na queima do combustível e a água (provavelmente, umidade vinda da atmosfera da Terra), que estavam se misturando e formando ácido nítrico, entre outros agentes corrosivos.

Na última terça-feira (19), durante uma coletiva de imprensa, representantes da agência e da empresa afirmaram terem identificado o que causava essa interação e uma forma de resolvê-la: “Nós ainda temos que finalizar esse procedimento conforme avançamos na parte técnica do voo e afins”, disse Michelle Parker, chefe de engenharia da Boeing, adicionando que uma das válvulas problemáticas foi, inclusive, removida e direcionada para testes mais detalhados.

“Esse procedimento”, no caso, envolve a instalação de aquecedores no sistema de válvulas para eliminar agentes corrosivos, adicionando materiais “dessicantes”, ou seja, que absorvem a umidade. Esse procedimento permitiu que 12 das 13 válvulas problemáticas funcionassem normalmente.

De acordo com a Nasa, três das válvulas serão removidas do conjunto e enviadas à agência espacial americana para testagem – especificamente, uma tomografia computadorizada a fim de se chegar à raiz do problema da umidade.

Apesar deste progresso, nem Boeing, nem Nasa se comprometeram com uma nova data de lançamento da Starliner, limitando-se apenas a reafirmar um objetivo já conhecido: algum momento no primeiro semestre de 2022. O procedimento também seguirá igual: a nave Starliner será acoplada a um foguete Atlas V (da United Launch Alliance, ULA), com o conjunto saindo do Cabo Canaveral, na Flórida, onde a agência americana mantém uma base de lançamento.

O projeto Starliner é um dos carros-chefe da participação da Boeing na indústria aeroespacial: fruto de um contrato bilionário assinado entre a empresa e a Nasa em 2014, seu objetivo pode ser resumido a servir de táxi para astronautas que vão para e retornam da ISS.

Vale lembrar que, anos depois, a SpaceX assinaria um acordo similar – mas ao contrário da Boeing que ainda não fez a “estreia” do serviço, a empresa fundada pelo bilionário Elon Musk já lançou duas missões tripuladas à estação, e uma terceira já está programada para o Halloween (Dia das Bruxas, aqui no Brasil), na manhã de 31 de outubro de 2021.

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