A nova animação da 20th Century Studios e distribuída pela Disney, ‘Ron Bugado’, acompanha um estudante tímido e desajeitado do ensino fundamental, Barney, e o seu mais novo amigo, Ron – um robô super inteligente e conectado que anda e fala, mas que veio com defeitos de funcionamento. A dupla, a partir daí, começa uma trajetória de ação enquanto ensinam a crianças, jovens e adultos uma lição incrível sobre amizade verdadeira e recíproca.

Ao longo de 106 minutos de filme, é fácil encontrar elementos da história para se identificar. O protagonista humano, por exemplo, tem dificuldades em fazer amigos e acredita que um “b-bot” (o robô ultraconectado do longa) garantirá a tão sonhada popularidade na escola e o ajudará a enfrentar qualquer desafio social – um sentimento universal com que todos nós, de 0 a 100 anos, já passamos em algum momento da vida.

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Por outro lado, a animação tem tom maduro o suficiente para tecer fortes e diretas críticas à dependência tecnológica e ao vício em redes sociais, principalmente em menores de idade. O Olhar Digital entrevistou com exclusividade os diretores Jean-Philippe Vine e Octavio E. Rodriguez, e os questionou sobre a manifestação presente na produção. Ao lado de Sarah Smith, eles foram os responsáveis por trazerem Ron a vida (mesmo “bugado”).

“Nós realmente quisemos falar sobre como fazer amigos através das redes sociais e como você reflete a si mesmo nessas plataformas – ou mesmo como a sua imagem é influenciada ali”, explicou Jean, que vê a produção como crítica, porém jamais como antitecnológica. “Nós não estamos tentando dizer que as redes sociais são algo negativo, mas o que realmente estamos querendo mostrar é a nossa percepção humana sobre nós mesmos no meio digital”.

Questionei os diretores da animação sobre ser, de certa forma, uma versão infantil de ‘O Dilema das Redes’. O documentário lançado em 2020 pela Netflix analisa os efeitos prejudiciais da mídia e internet em, praticamente, tudo – desde a autoestima à democracia – e também expõe as técnicas usadas pelas principais gigantes da tecnologia do mercado para captarem e manterem os usuários em frente à tela do smartphone, computador e etc.

Jean agradeceu e considerou a afirmação um elogio, concordando que ‘Ron Bugado’ pode, sim, ser visto como uma crítica ao vício de crianças e adolescentes em tecnologia. “No caso de muitas redes sociais, o objetivo é conectar você com pessoas similares, com os mesmos interesses, mas ao mesmo tempo a sua essência pode estar atrelada a quantas pessoas te seguem ou curtem você”, comentou o cineasta.

Ron Bugado
‘Ron Bugado’ e Barney são os protagonistas da nova animação. Imagem: 20th Century Studios/Divulgação

“A necessidade de estar totalmente dedicado ao seu dispositivo é algo que nos preocupa como pais e responsáveis, porque não crescemos com essa pressão”, declarou o diretor, que ainda afirmou que a animação valoriza o quão difícil nos dias de hoje é para os menores de idade lidarem com a solidão e a insegurança, fatores que a “era das redes sociais”, segundo ele, ampliou – e muito.

“Ron e Barney são dois ‘estranhos’ para os que estão ao redor deles. Barney, especialmente, se sente assim o tempo todo por ser humanos e racional, mas Ron ama o que ele é e tem orgulho de quem é. Esse é principal ponto mostrado no filme para a construção de uma amizade verdadeira”, declarou.

Já Octavio acredita que a maior lição do filme, tanto para adultos quanto crianças, não é apenas nos ajudar a crescer a amizade, mas sim dar continuidade ao relacionamento. “[‘Ron Bugado’] nos ensina que é possível ver a realidade do outro – algo que costumeiramente não conseguimos notar”, apontou. “Nos motiva a observar algo além das nossas experiências, ou seja, a perspectiva da outra parte da relação, do outro amigo. Enfim, ajuda a crescer como humano”.

‘Ron Bugado’ contra a pandemia de Covid-19

Um dos maiores desafios de ‘Ron Bugado’ foi, certamente, dirigir o grande elenco de voz em meio aos lockdowns no mundo inteiro em meio ao pior cenário da pandemia de Covid-19, em 2020. Os atores Zach Galifianakis (‘Se Beber, Não Case’) e Jack Dylan Grazer (‘Shazam!’) são os protagonistas Ron e Barney, respectivamente, mas a escalação de nomes conhecidos ainda conta com Olivia Colman (‘The Crown’), Ed Helms (‘The Office’), Justice Smith (‘Jurassic World: Reino Ameaçado’) e muito mais em papéis secundários.

‘Ron Bugado’ precisou enfrentar a pandemia de Covid-19 para ser feito, admitem os codiretores. Imagem: 20th Century Studios/Divulgação

“Felizmente, pudemos conhecer os atores antes do lockdown em momentos quase de ‘fãs conhecendo artistas’ em bastidores, sabe? Visando construir a relação. No geral, eles foram maravilhosamente profissionais e talentosos, e trouxeram tanta alegria ao filme, mesmo de forma remota”, comentou Octavio, que destacou em vários momentos o orgulho que tem da produção de ter garantido “um elenco desse nível” para a animação.

Mas, claro, os desafios foram muitos. Em determinado momentos, a trinca de diretores precisou gravar com o elenco espalhado em vários países diferentes, dado o momento do isolamento social por conta da pandemia. O codiretor admitiu a dificuldade, porém afirma que todos foram muito atenciosos. “Nós deixamos pacotes com materiais para gravações na porta deles e demos as instruções de como montar tudo”, explicou ao Olhar Digital.

“Estávamos todos em lockdown, então houve momentos em que pensamos: ok, estamos todos ‘no mesmo lugar’, como fazer isso funcionar? Como em outros filmes, os atores precisaram improvisar, sabe? [Então, foi preciso] trabalhar de casa, utilizar o guarda-roupa para criar efeitos de imersão no diálogo e etc”, detalhou o cineasta, ainda apontando que a situação foi complicada tanto para os atores quando para os diretores. “Estávamos todos nessa juntos”.

“Amizade é uma via de mão dupla”

Ron Bugado
‘Ron Bugado’ ensina que amigos podem brigar e, ainda assim, serem amigos, diz diretor. Imagem: 20th Century Studios/Divulgação

Como retratar de forma profunda, atual e diferenciada o verdadeiro significado de ser um amigo em uma animação? Venhamos e convenhamos, filmes do gênero já exploraram a temática à beça e de vários jeitos possíveis – seja em 2D, 3D, de forma mais rasa analiticamente falando ou até mesmo subjetivamente, mirando mais o espectador adulto do que o público-alvo infantil, de fato. ‘Ron Bugado‘ escolhe o didatismo quase pedagogo e ambientação tecnológica para ensinar crianças de 0 a 100 anos um fator especifico incrivelmente pouco abordado neste tipo de produção: “a amizade é uma via de mão dupla”.

O lema, inclusive, faz parte do título da crítica elaborada pela Olhar Digital – que, a convite do Disney Studios e da 20th Century, assistiu ao filme antecipadamente. Sobre essa frase em questão, que os diretores concordam que resume praticamente todo o filme, Jean valoriza o amor recíproco da relação, que leva ao entendimento com respeito. “É bom os pequenos aprenderem desde cedo que dois amigos podem discordar e, ainda assim, serem amigos, vivenciarem grandes aventuras e, acima de tudo, apoiarem um ao outro”, diz.

“Foi muito importante para nós mostrar isso na tela de cinema, mas também irei destacar que a mesma lição vale muito para adultos (risos). Em todos os nossos relacionamentos, é sempre bom ser lembrado de que devemos considerar as necessidades e diferenças de cada um, e da mesma forma ser curioso e apoiar os nossos amigos de um jeito recíproco e renovador, não só pensando em nós mesmos ou como nos mostramos – tanto na internet quanto fora dela”, concluiu o diretor.

Ron Bugado
‘Ron Bugado’ tece duras críticas à tecnologia e ao vício, principalmente por crianças e adolescentes. Imagem: 20th Century Studios/Divulgação

Em mensagem direta para o público brasileiro, os codiretores pediram para que o público vá aos cinemas assistir ‘Ron Bugado’. “Queríamos estar assistindo ao filme aí com vocês, pessoal! Estamos maravilhados com todo o resultado e esperamos que o filme atinja o coração de vocês, de verdade. A história foi feita com todo o nosso coração”, afirmou Jean.

Curtiu e não vê a hora de assistir ‘Ron Bugado’? O longa chega em 21 de outubro de 2021 nas salas de cinema em todo o Brasil – péssima data, vale ressaltar, pois além de ser 10 dias depois do feriadão que contempla o “Dia das Crianças”, ainda terá que enfrentar ‘Duna’, da Warner Bros., e ‘Halloween Kills – O Terror Continua’, da Universal Studios, pela bilheteria. Confira abaixo trailer e sinopse oficiais:

“‘Ron Bugado’ conta a história do jovem Barney, um menino de onze anos que tem dificuldade de fazer novos amigos, e seu companheiro Ron, uma inteligência artificial de alta tecnologia que anda, fala e é o “melhor amigo fora da caixa” de Barney. Mas quando Ron começa a ter seu funcionamento comprometido, os dois saem em uma aventura repleta de ação, onde a amizade entre os dois se mostra verdadeira.”

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