Ir ao espaço em 18 de dezembro de 2021 será apenas a primeira parte de uma viagem bem árdua para o telescópio espacial James Webb, segundo um vídeo divulgado pela Nasa que detalha as possíveis falhas pós-lançamento do artefato, tido como o sucessor do Hubble.

O James Webb tem como sua função primária se posicionar nas partes mais distantes do espaço, fazendo observações que, com sorte, nos farão compreender melhor o início do nosso universo.

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Entretanto, a sua tecnologia é tão complexa e envolve tantos pequenos detalhes, que a Nasa mostrou que, apesar de toda a sua expertise, o projeto ainda tem risco de algumas falhas – bom, pelo menos 300 delas, segundo a agência.

Alguns pontos levantados pelo vídeo de aproximadamente nove minutos são bem interessantes: o primeiro exemplo é o de um espelho de cerca de 6,5 metros (m), que possui dobradiças para se dobrar “tal qual um origami”, segundo a Nasa.

Isso porque o telescópio será guardado de forma bem compacta dentro do foguete Ariane 5, projetado e operado pela Arianespace – ou seja, esse espelho estará dobrado. Entretanto, quando o telescópio se separar do foguete e acionar seus próprios propulsores, ele deverá aos poucos abrir o componente por conta própria.

Essa é uma boa hora para lembrar que o telescópio espacial James Webb ficará posicionado a cerca de 1,6 milhão de quilômetros (km) de distância do Sol – no chamado “Segundo Ponto de Lagrange”, bem atrás da Terra, mas com uma órbita de velocidade igual à nossa. Em outras palavras, não poderemos mandar ninguém até ele para consertos e manutenção.

Outro ponto de risco: segundo o vídeo, cerca de 12 horas após se separar do foguete, o James Webb deverá acionar seus propulsores, contando também com um impulso dos ventos solares – partículas energizadas emitidas pelo Sol. Uma pequena aba auxiliar deverá ser acionada a fim de oferecer estabilidade ao transporte.

Mas esses dois nem se comparam ao complexo sistema de proteção solar que, segundo a Nasa, é “do tamanho de uma quadra de tênis, com 140 mecanismos de soltura, 70 articulações montadas, 400 polias, 90 cabos e 8 motores de acionamento”. A agência fala no vídeo que toda essa cadeia deverá funcionar de maneira plena após o lançamento.

“As duas semanas após o lançamento serão a nossa Copa do Mundo, o nosso Super Bowl – você escolhe a analogia”, disse Amy Lo, Diretora Adjunta de Engenharia Veicular do Telescópio Espacial James Webb. “Anos do nosso treinamento serão decisivos nesse momento”.

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