A trágica morte da cineasta Halyna Hutchins, que foi acidentalmente baleada pelo ator Alec Baldwin no set de Santa Fé em meio às gravações do filme independente ‘Rust’ na semana passada, abalou Hollywood, algo que levou a uma revisão profunda sobre vários protocolos de segurança nos bastidores e o uso de armas – cenográficas ou não.

Atualmente, há conversas em andamento nos principais estúdios de TV, que examinaram cuidadosamente as políticas de segurança nos últimos dias e optaram por adotar mudanças. A verdade é que Hollywood tem uma longa e difícil história com armas, que retornas aos holofotes após uma nova e infeliz tragédia. Programas que retratam a violência armada, inclusive, costumam ser temporariamente arquivados após um incidente do tipo, em respeito às vítimas.

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Após a morte de Hutchins, o showrunner da série ‘The Rookie’, Alexi Hawley, divulgou um memorando interno que ele descreveu como “um processo emocional”. Na nota, ele anunciou que, a partir de agora, “é política da produção que todos os tiros no set sejam armas Air Soft com flashes de tiros feitos por efeitos especiais e adicionados somente na pós-produção”.

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Alec Baldwin mata cinegrafista acidentalmente com disparo de arma cenográfica. Imagem: Instagram/Reprodução

“Não haverá mais armas ao vivo no programa”, explicou Hawley. “A segurança de nosso elenco e equipe é muito importante. Qualquer risco é muito risco”. O seriado não estará sozinho. O diretor da premiada ‘Mare of Easttown’, Craig Zobel, revelou após o incidente com ‘Rust’ que todos os tiros vistos na minissérie do HBO são digitais.

“Não há mais razão para ter armas carregadas ou qualquer coisa do tipo no set”, escreveu no Twitter. “Deveria ser totalmente proibido. Agora existem computadores [para isso]”.

Eric Kripke, showrunner de ‘The Boys’, do Amazon Prime Video, tuitou: “Nunca mais armas cenográficas em nenhum dos meus sets. Usaremos flashes de efeitos especiais. Quem está comigo?”.

Puristas retrucar as novas decisões, argumentando que usar armas Air Soft e efeitos especiais não é o mesmo que a coisa real e que um “coice autêntico” só pode ser produzido por uma arma real. Zobel rebateu alguns usuários que defenderam tal ponto de visto e defendeu veementemente o uso de tiros digitais na tela: “Você provavelmente pode dizer [que não simula perfeitamente], mas quem se importa? É um risco desnecessário”.

Regra universal é único meio para evitar novo “Caso Alec Baldwin”

Conforme as discussões da indústria continuam, não há indicação de que todos os estúdios ou streamings estejam implementando uma política geral de proibição de armas em todos os programas. Contudo, os protocolos de segurança estão sendo cuidadosamente revisados ​​e reforçados. O sentimento geral, por ora, é que a maioria considera as medidas existentes suficientes.

Na verdade, muitas vezes tem sido filmes com orçamento menor, igual a ‘Rust’, que estão sujeitos a acidentes. O longa tinha o orçamento de um episódio médio de uma série dramática de ponta, cerca de US$ 6 milhões a US $ 7 milhões, e um cronograma apertado de filmagens: 21 dias.

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Como disse ao Los Angeles Times Neal W. Zoromski, produtor e mestre de adereços veterano que recusou oferta para ingressar em ‘Rust’, ele inicialmente pediu um departamento cinco técnicos para lidar com armas cenográficas. Após concessões, ele modificou o pedido para dois membros experientes. Em seguida, foi informado de que o filme só poderia permitir uma pessoa encarregada de todas as tarefas, o que o levou a desistir do projeto.

Por causa da discrepância significativa de orçamento entre as produções grandes de estúdio e independentes, uma proibição universal de armas reais nos sets pode ser a única solução para manter todos os projetos – grandes e pequenos – seguros.

Atualmente, uma campanha popular para proibir o uso de armas de fogo reais nas filmagens de Hollywood está ganhando força. Uma petição do site Change.org, lançada pelo cineasta Bandar Albuliwi, acumulou 30 mil assinaturas desde sexta-feira, incluindo o apoio de cineastas e estrelas, e chamou a atenção de legisladores da Califórnia.

Fontes: Deadline e Los Angeles Times

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