Na madrugada deste domingo (31), a partir das 3h21 (pelo horário de Brasília), acontece o lançamento da missão Crew-3, o terceiro voo tripulado rumo à Estação Espacial Internacional (ISS) realizado pela SpaceX. Os quatro astronautas que estreiam a nova cápsula Dragon, que recebeu o nome “Endurance” (Tenacidade), levarão consigo mais de 200 experimentos a serem realizados durante os seis meses de estadia no laboratório orbital.

A SpaceX é uma das duas parceiras comerciais que a Nasa contratou para enviar seus astronautas à ISS – a outra é a Boeing, que ainda não lançou astronautas em sua cápsula Starliner. Um segundo voo de teste (sem tripulação) da Starliner estava programado para ser lançado em agosto, mas foi colocado em espera indefinidamente enquanto as equipes continuam tentando consertar um problema com as válvulas no sistema de propulsão do veículo.

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Da esquerda para a direita, Matthias Maurer, Thomas Marshburn, Raja Chari e Kayla Barron levarão mais de 200 experimentos à ISS a bordo da nova Crew Dragon Endurance. (Imagem: Nasa/Divulgação)

Raja Chari – que comandará a missão -, Tom Marshburn e Kayla Barron, da Nasa, juntamente com o astronauta Matthias Maurer, da Agência Espacial Europeia (ESA), se juntarão à tripulação da Expedição 65 já a bordo da estação espacial. Este será o primeiro voo espacial para Chari, Barron e Maurer. 

Novo Programa de Tripulação Comercial da Nasa otimiza tempo das pesquisas

“Um dos benefícios que o relativamente novo Programa de Tripulação Comercial (CCP) oferece à pesquisa da ISS é ser capaz de lançar a ciência ao lado da tripulação”, disse David Brady, cientista do Centro Espacial Johnson (JSC) da Nasa, durante entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (28). 

“E, ao sermos capazes de fazer isso, aumentamos nossa capacidade de cumprir cronogramas que se baseiam nas necessidades de nossos pesquisadores, o que contribui para uma ciência melhor”, completou.

Brady destaca que o programa tem como vantagem o tempo de retorno mais rápido para os experimentos. “Outra vantagem do programa CCP é que ele mantém o caminho de transporte próximo ao laboratório”, disse ele. “Para os veículos Dragon, a ciência é lançada da Flórida e, em seguida, recuperada na costa da Flórida, o que é perfeito para despachar amostras de volta ao laboratório”.

Conheça alguns dos experimentos que a missão Crew-3 da SpaceX levará à ISS

Entre as centenas de experimentos estarão novas pesquisas médicas, que ajudarão os cientistas aqui na Terra no combate a uma série de doenças. Além disso, agências espaciais ao redor do mundo poderão entender melhor como o espaço afeta o corpo humano, para que possam preparar adequadamente os astronautas para futuras viagens espaciais de longa duração à Lua e Marte, por exemplo.

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De acordo com o site Space, uma das investigações científicas envolve um experimento do Instituto Nacional do Câncer dos EUA. Como parte da pesquisa, denominada crescimento uniforme de cristal de proteína (UPCG), minúsculos cristais de RNA (ácido ribonucléico) serão cultivados em microgravidade e então examinados usando uma poderosa fonte de luz para observar sua forma tridimensional.

Outro experimento consiste na observação dos impactos de uma dieta espacial aprimorada na saúde dos astronautas, como parte de uma pesquisa de fisiologia alimentar. Grace Douglas, cientista-chefe do esforço de pesquisa de Tecnologia Avançada de Alimentos da Nasa, está examinando o impacto da dieta na resposta humana à microbiota intestinal e no estado nutricional durante o voo espacial. 

“Queríamos começar esse experimento porque quando olhamos para o voo espacial atual, aprendemos muito”, disse ela. “E algumas das coisas que aprendemos são que os astronautas têm mudanças em seu sistema imunológico, como desregulação, função celular imunológica reduzida e perda de ossos e músculos”.

Também merece destaque um experimento que envolve o desenvolvimento de um sensor de software chamado Sensor de Orientação de Vídeo para Smartphone (SVGS), capaz de ser usado em várias plataformas para calcular a posição e atitude de faróis iluminados. 

“Esse é um meio muito valioso para fornecer orientação e informações de navegação quando você está fazendo manobras de proximidade com uma pequena espaçonave, um drones ou com robôs móveis”, disse Hector Gutierrez, professor do Instituto de Tecnologia da Flórida que tem trabalhado com o Marshall Space Flight Center da Nasa.

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