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Conversamos com a Positivo sobre a parceria que trouxe a Infinix para o Brasil

Por Nick Ellis, editado por André Lucena
29/10/21 16h27, atualizada em 29/10/21 16h32
Infinix Note 10 Pro

Conversamos com Cristiano Freitas, diretor de dispositivos móveis da Positivo, sobre a parceria com a chinesa Transsion, anunciada essa semana, e ele nos contou quais são os planos da empresa para o futuro da marca Infinix no Brasil, além do lançamento do Infinix Note 10, que já está sendo vendido por aqui. 

Em primeiro lugar, qual a expectativa para a chegada da Infinix no Brasil? Eu venho escrevendo sobre essa marca há alguns anos.

Eu vejo as pessoas cada vez mais usando produtos Infinix lá fora, e é claro que no seu caso, você é da área então já conhece, mas tenho visto que mesmo pessoas que não são do meio de tecnologia também já conhecem. Nas nossas pesquisas, a gente percebeu que alguns já conheciam a marca, o que foi muito legal para nós. 

Hoje, as marcas da China estão entre as maiores do mundo, algumas presentes no mundo inteiro. Por mais que a Infinix ainda não estivesse no Brasil, as marcas chinesas têm um crescimento vertiginoso, e as pessoas estão muito interessadas nas marcas que vem de lá.

Cristiano Freitas diretor de dispositivos móveis da Positivo Tecnologia / Divulgação: Positivo

Então a nossa expectativa é muito boa, já estamos recebendo alguns feedbacks muito positivos mesmo, estou bem satisfeito. É o trabalho de alguns meses dedicados a Infinix, além de alguns anos conversando com o mercado, entendendo o mercado, discutindo parcerias, conversando com muita gente já sobre isso. 

E o caminho está muito claro para nós, e com o atual cenário de supply chain no mundo, a gente vai conversando com alguns grandes fabricantes. Hoje, muita coisa mudou, a figura do “local king”, que eram os fabricantes locais, já não existe mais. Por exemplo, na Índia tinha uma marca assim, a Micromax, mas essas coisas não existem mais, hoje são os grandes players em todos os mercados, e era importante para a Positivo se aliar um grande poder, nesse caso, o grupo Transsion.

Como será feita a apresentação da marca pro cliente, como Infinix ou Positivo?

Infinix Note 10 Pro / Imagem: Divulgação

É uma boa pergunta. A gente está lançando como Infinity, mas seguimos discutindo isso até agora. Nós lançamos o Note 10 Pro como Infinix, mas estamos aí pensando em algo para o futuro. A marca chancelou fortemente, tem essa questão de ter uma empresa séria por trás, com pós-venda, com 32 anos de tradição. Então é uma coisa que a gente está discutindo justamente nesse momento.

Qual será a forma de venda dos smartphones Infinix no Brasil? A partir de quando eles estarão disponíveis nas lojas que a Positivo vende seus produtos? 

Ele já vai estar esse ano inclusive. Em 2022 é um novo portfólio, mas em 2021 já estaremos nas lojas da Via e também da Vivo da Telefônica. Já fechamos com a Via, eles receberam com bastante entusiasmo só de contas é um player a mais, né?

Acho que isso é bom para todo mundo, principalmente para o consumidor final. Não é bom o mercado ficar com poucos players com força. É um player a mais, eles entendem o que é, viram que era um player grande, com portfólio, e viram com muito bons olhos, e aceitaram entrar nessa parceria para o lançamento. 

A estratégia da Positivo com a Infinix no Brasil é apostar mais nos intermediários, não é? Vocês pretendem lançar alguns celulares básicos também?

A nossa ideia é ir com Positivo até essa faixa de R$ 800, R$ 1.000, e depois complementar com os produtos da Infinity dali para cima. Não existe uma grande diferença entre os dois, mas isso foi muito pensado, inclusive na discussão do fechamento com a Transsion. Assim, a ideia é popular dos R$ 900, R$ 1.000 com os nossos, e até os R$ 2.999 com os produtos deles. 

Como você falou em R$ 2.999, imagino que existem planos para lançar o Infinix Zero X e o Zero X Pro no Brasil? 

Está em discussão, são coisas que a gente está conversando. Todo o portfólio da Infinix está aberto, eles estão bastante empolgados com isso. É o Brasil, toda a dimensão do país, quase que um continente de oportunidades, então estamos discutindo todo o portfólio da marca.

Outro produto que faz sentido para o nosso mercado é o Infinix Hot 11 e Hot 11s, não é? 

Acredito que é muito interessante sim, e poderia chegar aqui a partir de R$ 1.000, R$ 1.200… Ele é um produto bastante competitivo e está nas discussões nossas também, estamos bem bem profundos nessas discussões, justamente já pensando no que que virá. 

Vocês lançaram o Note 10 Pro, e lá fora no começo do mês, foi apresentado o Note 11 Pro. A empresa vai lançar sempre uma geração anterior, ou pretende lançar os aparelhos mais recentes também? 

Então, a ideia lançar os mais recentes, mas o que aconteceu especificamente no caso do Note 10 Pro, é que, como esse é o primeiro a ser lançado, e a gente precisava de toda uma adequação fabril, e também sistêmica, imagine, um processo inteiro de fabricação.

Hoje a nossa fábrica roda Infinix como se estivesse rodando na China, então isso realmente leva um tempo para ser alcançado. A questão do Note 11 Pro foi colocada em consideração, mas é aquilo, se eu trouxesse importado eu poderia trazer ele desde agora, mas a gente preferiu trazer ele nacional, então isso está tomando esse tempo inicial. 

Mas, daqui para a frente, as diferenças de tempo começam a diminuir bastante, pois já temos uma fábrica azeitada, uma fábrica com todos os processos rodando, com uma integração sistêmica, por exemplo, que é uma coisa que você só faz uma vez, não vai ter que fazer mais. Então é o que eu entendo, para o futuro esse intervalo de lançamentos vai ser cada vez menor.

Quanto tempo demorou essa adaptação da fábrica? Em qual fábrica o Infinix Note 10 está sendo produzido?

Infinix Note 10 Pro é primeiro produto da parceria com a Positivo / Divulgação: Infinix

Nós temos duas fábricas em Manaus, uma fábrica em Ilhéus e outra em Curitiba. No caso do Infinix Note 10 Pro a gente está fazendo na fábrica de Manaus. O processo total demorou quatro meses desde as primeiros discussões sistêmicas, o mapeamento, uma auditoria, depois com os três últimos meses começando a vir equipamentos, começando a fazer a configuração dos equipamentos.

O material, chega faz a rampa (de montagem), faz teste de confiabilidade para entender que está tudo perfeito, que está tudo sendo replicado como é feito lá de fora, então uns quatro meses em todo o processo, e uns dois meses e meio, três meses só dedicados a criar a rampa do Note 10 Pro.

A versão do Note 10 Pro lançada no Brasil é a que tem NFC, não é?

A versão com 128 GB tem o NFC, e a versão de 256 GB não tem, mas vem com mais memória.

A Positivo é marcada pelas grandes parcerias com marcas como Vaio e Compaq, entre outras. A parceria com a Transsion Holdings segue o mesmo molde de outras feitas pela Positivo, ou tem características únicas?

Então, eu não participei das parcerias feitas com as empresas de computadores, mas das discussões de smartphone sim, mas eu acredito que que haja assim uma semelhança, é um alinhamento muito grande na alta gestão das duas empresas.

É um compromisso, uma crença dos dois lados para tornar um negócio factível, para fazer acontecer, um alinhamento muito forte da alta gestão para executar aquilo. Então é algo muito bem pensado, muito bem estudado, muito bem desenhado, eu não participei especificamente das discussões de Vaio ou Compaq, mas participei de uma outra de celulares no passado, as coisas são relativamente parecidas.

Então eu acredito que sim, existe uma semelhança pelo próprio modus operandi da empresa, pela questão da Positivo se pautar pela ética, sempre cumprindo o compliance global. Eu acredito que essas coisas permeiam qualquer tipo de negociação que a gente participe.

Cristiano, a Infinix não tem tablet, vocês têm a ideia de fazer uma parceria parecida com essa para esse tipo de segmento, ou vão manter a marca Positivo nesse segmento?

A gente vem muito bem com os nossos tablets, inclusive infantis, e relançamos agora uma linha de tablets mais profissionais para executivos, o Q10 e o Q8. Estamos muito bem vendendo esse tablet. É uma pergunta boa, não pensamos nisso, porém entendemos que estamos muito bem servidos com nossos produtos.

Para terminar, qual o maior diferencial do Infinix Note 10 Pro na sua opinião, como a Positivo acha que ele pode se destacar no Brasil?

Tem duas coisas bem diferentes nesse produto em relação aos normais, uma que a memória é 256 GB e a outra que são dois anos de garantia. Teve um comentário interessante nas pesquisas que a gente fez, e a pessoa comentou assim “agora entendi porque tem dois anos de garantia. É que 256 GB é tanta memória que eu preciso dois anos para cumprir a memória”.

Infinix Note 10 Pro / Imagem: Divulgação

Em outro comentário, disseram que “Infinix me leva infinito, parece que é uma memória infinita, uma garantia infinita”. A gente percebeu que o brasileiro ele realmente é sensível essas duas coisas, a memória e a garantia, e assim, tivemos a certeza que acertamos no produto, acertamos no público que busca esse tipo de produto.

Obrigado pela conversa, Cristiano. Desejo sucesso para que a Positivo traga mais produtos da Infinix ao Brasil.

Eu que agradeço muito a cobertura do Olhar Digital, todo o apoio de sempre de vocês.

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