Como previsto pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que recebeu na última semana as propostas das teles, o tão aguardado leilão do 5G se inicia nesta quinta-feira (4).

Segundo o órgão regulador, o embate será entre 15 empresas, desde gigantes como a Claro, Vivo e Tim, que visam operar nas chamadas frequências “puras”, bem como fundos de investimento e também pequenos provedores de internet.

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Ao longo da sessão, a agência analisará cada proposta pelas quatro faixas de frequência ofertadas (700 MHz, 2,3 GHz, 3,5 GHz e 26 GHz) e quais os valores oferecidos por cada uma delas — segundo o órgão, o envio da proposta não garante a participação no processo, já que será checado antes se todos atenderam aos requisitos previstos no edital.

Fachada da sede da Anatel, órgão regulador responsável pelo leilão da tecnologia 5G.
Leilão do 5G vai movimentar quase R$ 50 bilhões. Imagem: Joa_Souza/istock

A abertura dos envelopes com as propostas está prevista para começar às 10:00 (horário de Brasília). Segundo o edital, a licitação deve movimentar R$ 49,7 bilhões. Vale ressaltar que considerando o número de candidatos, a sessão pode terminar apenas na sexta-feira (5). 

A expectativa é que o 5G comece a ser ofertado até o dia 31 de julho de 2022 nas capitais. Os prazos estipulados por habitantes são os seguintes:

  • 5G disponível nas capitais brasileiras até 31 de julho de 2022;
  • Em cidades com mais de 500 mil habitantes até 31 de julho de 2025;
  • Em municípios com mais de 200 mil habitantes até 31 de julho de 2026;
  • Cidades com mais de 100 mil habitantes até 31 de julho de 2027;
  • Enquanto nas com mais de 30 mil habitantes até 31 de julho de 2028.

Quem participará do leilão do 5G?

Como dito antes, as grandes prestadoras de serviço devem brigar pelas frequências mais elevadas ou “puras”, que podem oferecer maior velocidade de conexão.

Já para os provedores regionais, por exemplo, o interesse será em frequências menores, que entregam velocidade mais baixa mas permitem cobrir áreas maiores.

Confira abaixo a lista de todas as companhias que concorrem abaixo:

  • Algar Telecom SA.
  • Brasil Digital Telecomunicações LTDA.
  • Brisanet Serviços de Telecomunicações S.A
  • Cloud2U indústria e comércio de equipamentos eletrônicos LTDA
  • Consórcio 5G Sul
  • Fly Link LTDA
  • Mega Net provedor de internet e comércio de informática LTDA
  • Neko Serviços de Comunicações, Entretenimento e Educação LTDA
  • NK 108 Empreendimentos e Participações S.A.
  • Sercomtel Telecomunicações SA
  • Telefônica Brasil SA
  • TIM SA
  • VDF Tecnologia da Informação LTDA.
  • Winity II telecom LTDA

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Como funciona o 5G?

As redes 5G funcionam via radiofrequência, da mesma forma que as gerações anteriores. Assim, o que muda da tecnologia para as antigas é, basicamente, o espectro coberto, que é expressivamente maior no 5G. Até por isso, é possível entregar uma maior velocidade, com menos latência.

Para saber a fundo como a tecnologia funciona, acesse este material aqui, que o Olhar Digital te explica em detalhes.

Para não conflitar com outros serviços que também utilizam ondas de rádio, o 5G precisará de frequências próprias. Na prática, é como se cada sinal ocupasse uma faixa de uma estrada que corre no ar. 

A Anatel dividiu essas “estradas” em lotes. Vale destacar que a autorização para o uso dessas faixas só será efetuada mediante o cumprimento de obrigações, o que inclui investimentos em infraestrutura e ampliação da cobertura de sinal no país.

Quais são as cidades com 5G no Brasil?

No Brasil, até o momento, as operadoras oferecem uma versão “light” do 5G, que usa as faixas de radiofrequência que também são utilizadas na rede 4G.

Ou, como explica o presidente global da Qualcomm, Cristiano Amon, em entrevista ao Olhar Digital: “A tecnologia permite criar uma rede 5G na frequência do 4G, sem precisar desligar um para ligar outro. É uma forma de introduzir usuários na rede 5G sem ter de limpar o espectro.” 

Considerando esse tipo de implementação, algumas cidades que possuem a cobertura são: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campinas (SP), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Guarulhos (SP), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Rio Verde (GO), Salvador (BA), Santo André (SP), Santos (SP), São Bernardo do Campo (SP), São Caetano do Sul (SP) e São Luís (MA).

Vale ressaltar que nem todos os bairros estão com a rede ativa, então seu uso ainda é limitado.

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Leilão da tecnologia vai movimentar bilhões

Dos cerca de R$ 49,7 bilhões previstos, a quantia de R$ 10,6 bilhões serão desembolsados pelas vencedoras do leilão pelo direito de explorar comercialmente o 5G no Brasil. 

Enquanto isso, em tese, pelo menos R$ 7 bilhões serão direcionados à implantação da rede móvel em escolas públicas. Bem como, parte do montante também será destinado para levar a internet às áreas sem cobertura, como pequenas cidades e estradas, além de criar uma rede privada para o governo.

A frequência de 3,5 GHz, a mais cobiçada por oferecer conexão mais rápida, terá obrigações específicas, como a expansão de 13 mil quilômetros de cabos de fibra ótica na região Norte e a criação de uma rede privativa para o governo federal com segurança reforçada e criptografia.

5G vs 4G: o que realmente muda?

Basicamente, o 5G promete mais velocidade e estabilidade. A título de comparação, o LTE Advanced Pro, também conhecido como 4.5G, possui uma velocidade pico que chega, em teoria, na casa dos 3 Gb/s, segundo as especificações do 3GPP, organização responsável pelos padrões nas telecomunicações.

Em tese, o 5G aumenta consideravelmente esse limite para 20 Gb/s. Esse total, no entanto, só é alcançado nas bandas mais altas.

Por fim, vale mencionar que o 5G foi pensado para dar conta do crescente número de dispositivos que estão cada vez mais conectados. 

Para entender as diferenças entre as gerações das tecnologias de rede móvel acesse este especial aqui.

Via: Uol

Créditos da imagem principal: sdecoret/Shutterstock

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