Que as mudanças climáticas são uma triste realidade que vem sendo anunciada há décadas, não é nenhuma novidade – por mais que, atualmente, haja uma enorme corrente negacionista que insiste em refutá-la. E elas têm gerado respostas cada vez mais alarmantes na natureza.

Um estudo publicado por cientistas da Nasa esta semana na revista Nature Food alerta que as mudanças climáticas podem começar a afetar a produção de milho e trigo dentro de menos de uma década. Isso significa uma transformação que pode ter consequências desastrosas para a atividade agrícola global até 2030.

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Altas temperaturas, níveis de emissão de gases de efeito estufa e dióxido de carbono, além das alterações nos ciclos das chuvas ocasionadas pelas mudanças climáticas surtem efeitos a curto prazo na agricultura global. Imagem: Margarita Kheruimova – Shutterstock

Segundo a pesquisa, as temperaturas sempre crescentes, os níveis de emissões de gases de efeito estufa e dióxido de carbono, bem como as mudanças nos ciclos das chuvas, provavelmente terão efeitos catastróficos no rendimento das safras comuns. 

“Não esperávamos ver uma mudança tão crucial, em comparação com as projeções de produção de safras da geração anterior de modelos de clima e safras conduzidos em 2014”, disse o autor principal Jonas Jägermeyr, cientista climático do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa. “Uma redução de 20% dos níveis de produção atuais pode ter graves implicações em todo o mundo”.

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Mesmo grandes esforços contra as mudanças climáticas não serão suficientes

Usando simulações de modelos climáticos complexos para investigar os efeitos do aumento das emissões de gases de efeito estufa no clima até 2100, a equipe analisou como as mudanças de temperatura, precipitação e níveis de CO2 poderiam afetar as taxas de crescimento das safras.

De acordo com o site Futurism, os resultados apontam que o rendimento do milho pode cair cerca de 24% até 2030. Já o rendimento do trigo pode crescer 17% no mesmo período, mas estabilizar-se em meados do século.

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“O que estamos fazendo é realizar simulações de produções que estão efetivamente cultivando safras virtuais dia a dia, alimentadas por um supercomputador e, em seguida, observando a mudança ano a ano e década a década em cada local do mundo”, revelou Alex Ruane, coautor do artigo e codiretor do Grupo de Impactos Climáticos do Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da Nasa.

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Embora os dados fossem claros sobre os efeitos que as mudanças climáticas poderiam ter sobre as safras de trigo e milho, os modelos não traçaram um quadro notório sobre os efeitos em outras safras, incluindo arroz e soja. Mas, segundo os cientistas, mesmo com ações drásticas, as repercussões agrícolas podem ser profundas.

“Mesmo em cenários otimistas de mudança climática, onde as sociedades realizam esforços ambiciosos para limitar o aumento da temperatura global, a agricultura mundial está enfrentando uma nova realidade climática”, disse Jägermeyr, observando que, dado o nosso sistema alimentar global, “impactos até mesmo no celeiro de uma só região serão sentidos no mundo todo”.

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