A pouco mais de um mês do lançamento, após longos 14 anos de atraso, a Nasa divulgou detalhes sobre a decolagem e a implantação do telescópio espacial James Webb, em entrevista coletiva concedida na terça-feira (2). Entre as declarações da agência, uma chama bastante atenção: o moderno observatório tem impressionantes 344 pontos de falha.

Conforme noticiado anteriormente pelo Olhar Digital, o sucessor do telescópio espacial Hubble está programado para ser lançado em 18 de dezembro de 2021 a bordo de um foguete Ariane 5 do local de lançamento da Agência Espacial Europeia (ESA), perto de Kourou, na Guiana Francesa. 

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Processo de implantação do telescópio James Webb no espaço tem mais de 300 pontos únicos de falha, de acordo com a Nasa. Imagem: ilustração 3D de Vadim Sadovski – Shutterstock

Cerca de 28 minutos após a decolagem, Webb se desconectará de seu veículo de lançamento e começará “a mais complexa sequência de implantações já tentada em uma única missão espacial”, de acordo com a Nasa. 

E é justamente essa complexa implantação, quando Webb iniciará o processo de desdobramento de seu painel solar no espaço, que inclui as temidas centenas de “pontos únicos de falha”, segundo Mike Menzel, engenheiro líder de sistemas da missão Webb, do Goddard Space Flight Center da Nasa em Maryland.

“Há 344 itens de ponto único de falha em média”, revelou Menzel, acrescentando que “aproximadamente 80% delas estão associados à implantação”.

De acordo com a engenheira de sistemas do Webb da Northrop Gumman – empresa que construiu a espaçonave – Krystal Puga, o telescópio tem 144 mecanismos de liberação “que devem funcionar perfeitamente”.

Menzel explicou que a equipe diminuiu o número de mecanismos de liberação tanto quanto possível. “Encontramos o ponto ideal entre obter o controle que desejamos, com essas grandes membranas flexíveis, sem adicionar muitos pontos únicos de falha”, disse ele.

Nasa e Northrop Gumman fizeram série de inspeções e testes extras para garantir sucesso da operação

No entanto, embora a missão (especialmente no estágio de implantação) tenha esse grande número de pontos únicos de falha, Menzel enfatizou o extenso trabalho que a equipe fez para garantir o sucesso.

“Quando identificamos uma falha de ponto único, damos a ele um tratamento muito especial. Temos o que chamamos de plano de controle de item crítico e sempre adicionamos pontos de inspeção extras. E também fizemos testes off-line extras nesses dispositivos”, garantiu.

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Ele acrescentou que para cada um desses itens identificados, a Nasa e a Northrop Grumman fizeram inspeções e testes extras para entender as diferentes formas de falha, com o objetivo de deixar o telescópio o mais preparado possível. “Damos muita atenção aos nossos itens de falha de ponto único”, disse Menzel.

Equipe tem variedade de planos “B”

Além dos cuidados extras na fase de implantação, a missão no geral também tem muitos planos de contingência, ou planos para caso as coisas não saiam como planejado. “Temos vários planos de contingência”, disse Menzel ao site Space.

Ele afirmou que alguns dos planos foram “pré-formulados” para as partes críticas de implantação. “Há apenas uma implantação realmente crítica, e é para retirar o painel solar”, disse ele.

Alphonso Steward, líder de sistemas de implantação de Webb da Nasa Goddard, acrescentou que os planos de contingência para Webb variam do super simples ao muito complexo, com alguns sendo tão simples quanto reenviar um comando que não foi cumprido. Ele disse que há “um pouco de redundância” em grande parte da missão Webb. “Temos várias maneiras de enviar o mesmo sinal”, explicou.

“Nos últimos dois anos ou mais, a equipe tem praticado esses cenários de contingência, onde [uma] anomalia é introduzida, e a equipe trabalha para tentar resolvê-la e meio que ensaiar os planos”, disse Steward. 

Ao longo de 24 anos desde o início do desenvolvimento, estima-se que o telescópio James Webb custou à Nasa US$9,7 bilhões, no total. 

O enorme observatório espacial tem um espelho seis vezes maior do que o do Hubble e um protetor solar do tamanho de uma quadra de tênis. 

Ele tem a missão de atingir o mais distante alcance possível do universo, o que significa que os cientistas esperam usar o telescópio espacial para estudar “mais para trás no tempo do que nunca”, aprendendo mais sobre as origens do nosso universo enquanto descobrem novas informações sobre tudo, desde a formação de planetas até a matéria escura.

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