As mudanças climáticas contribuíram com a geração de 202 mil casos de doença renal no Brasil entre os anos de 2000 e 2015, de acordo com um estudo publicado na revista científica “The Lancet Regional Health — Americas” no final de outubro.

Os dados mostram que 7,4% das hospitalizações por enfermidade nos rins podem ser atribuídas ao aumento da temperatura. Essa foi a primeira vez que uma pesquisa quantificou esse problema.

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Os pesquisadores forma liderados pelo professor Yuming Guo e o especialista Shanshan Li para analisar 2.726.886 hospitalizações por doenças renais registradas durante 15 anos e em 1.816 cidades no Brasil. No artigo, os autores argumentam que o estudo “fornece evidências robustas de que mais políticas devem ser desenvolvidas para prevenir hospitalizações relacionadas ao calor e mitigar as mudanças climáticas”.

Segundo o professor Guo, para cada aumento de 1° na temperatura média diária, há um aumento de quase 1% na doença renal, sendo os mais afetados mulheres, crianças menores de 4 anos e pessoas com mais de 80 anos. Com isso, as associações entre temperatura e doenças renais foram maiores no dia da exposição a temperaturas extremas.

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“Além disso, deve-se dar atenção aos países de renda baixa e média como o Brasil, onde sistemas confiáveis de alerta de calor e medidas preventivas ainda são necessários”, pontua Guo.

Em comparação com a década anterior, a pesquisa mostrou que a incidência de morte por doença renal aumentou 26,6% e foi – em parte – consequência das mudanças climáticas. Sendo estimado que 92.207 e 255.486 mortes podem ser atribuídas ao aumento da temperatura em 2030 e 2050, respectivamente.

Entre as doenças renais consideradas no estudo, estão: lesão renal aguda (IRA) e doença renal crônica (DRC). Além disso, o estudo explica que esses problemas são impulsionados conforme há mais transpiração e desidratação pelo aumento da temperatura média diária. Por outro lado, os mecanismos biológicos para a associação entre temperatura e hospitalização por doenças renais ainda não nítidos.

Fonte: O Globo

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