Demorou, mas a Corte Federal de Apelações dos EUA decidiu contra a Blue Origin no processo que ela moveu contra a Nasa e a SpaceX, efetivamente levando a empresa fundada por Jeff Bezos a mais uma derrota na Justiça – a última sobre esse assunto, pelo que indicam as informações divulgadas.

Em abril de 2021, a Nasa atribuiu à SpaceX um contrato de aproximadamente US$ 3 bilhões (R$ 16,60 bilhões) para o desenvolvimento de um módulo de pouso para astronautas do Projeto Artemis, que vai levar o homem de volta à Lua até 2025. Na concorrência, além da SpaceX, estavam a Blue Origin e a Dynetics.

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Imagem mostra Jeff Bezos, fundador da Blue Origin, que moveu e perdeu processo contra a Nasa sobre licitação do Projeto Artemis
O fundador da Blue Origin, Jeff Bezos, expressou desejos de boa sorte à Nasa e à SpaceX no Twitter, sinalizando que não vai mais tentar nenhum recurso contra a derrota judicial sofrida pela sua empresa (Imagem: lev radin/Shutterstock)

A decisão não caiu bem para as duas empresas derrotadas na licitação, com a Blue Origin levando o caso à justiça americana, acusando a Nasa de favorecimento de não cumprimento de uma regra que determinava a escolha de uma segunda empresa como “plano B”. A Nasa defendeu-se, dizendo que restrições orçamentárias a impediam de escolher outra companhia, além do fato de que a proposta da SpaceX era não só a mais qualificada tecnicamente, como também a mais barata.

O processo foi decidido contra a empresa de Bezos na época, mas a Blue Origin resolveu entrar com recurso na Corte de Apelações, forçando a Nasa a paralisar os trabalhos relacionados ao contrato até 1º de novembro. A decisão final, assinada pelo juiz Richard Hertling e comunicada na noite desta quinta-feira (4), refere-se a esse recurso e, bem, Bezos perdeu de novo.

Em comunicado, a Nasa comemorou a decisão e disse que os trabalhos com a SpaceX serão retomados “assim que possível”. A agência espacial também afirmou que “haverão oportunidades futuras para que empresas firmem parcerias com a Nasa para estabelecer uma presença humana a longo prazo na Lua pelo Projeto Artemis”.

A Blue Origin também emitiu seu próprio comunicado: “trazer de volta os astronautas da Lua em segurança por meio da parceria público-privada com a Nasa requer um processo de compra [de serviços e tecnologia] sem preconceitos, bem como uma política contratual sólida que incorpora sistemas redundantes e promova a concorrência. A Blue Origin reforça o seu compromisso com o sucesso do programa Artemis”.

Jeff Bezos, fundador da Blue Origin e ex-CEO e fundador do grupo Amazon, também comentou a situação via Twitter, dando a entender que a decisão atual é final e que a empresa não vai mais procurar recursos para essa finalidade: “Não é a decisão que queríamos, mas nós respeitamos o julgamento da Corte, e desejamos todo o sucesso para a Nasa e a SpaceX neste contrato”.

Elon Musk, CEO e fundador da SpaceX, tuitou um meme do filme Dredd, de 2018, com a legenda “Você foi julgado”. O tuíte foi em resposta a uma publicação de um jornalista da CNBC, que relatou em matéria sobre a decisão da Corte.

Segundo a emissora americana, aliás, a decisão veio em um período “estranho” para a Blue Origin: de um lado, a empresa aeroespacial vem coletando sucessos – com dois voos suborbitais tripulados realizados com amplo sucesso (um com o próprio Bezos a bordo, outro com o ator William Shatner, o eterno “Capitão Kirk”).

Por outro lado, a empresa está passando por turbulências internas, com uma alta taxa de turnover de funcionários – nome dado à média de colaboradores que deixam uma empresa: se você fica acima da média, há indícios de baixa retenção de talentos. Em termos diretos: as pessoas estão preferindo sair da empresa.

Isso provavelmente tem relação com acusações de ex-funcionários, que afirmam que a Blue Origin cultiva uma cultura tóxica e de assédio moral, além de deliberadamente ignorar certas medidas de segurança.

Por ora, o grande projeto da Blue Origin será mesmo a estação espacial privada que ela pretende montar no espaço ainda nesta década.

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