Um professor de anatomia aposentado recebeu uma chuva de críticas por ter feito uma apresentação um tanto quanto mórbida: uma autópsia ao vivo. Além do conteúdo macabro e sensível, o ex-professor também tem sido criticado por ter vendido ingressos para quem queria assistir o processo.

Quem quis acompanhar a autópsia ao vivo teve que pagar até US$ 500 (cerca de R$ 2,8 mil). A situação levantou um grande dilema ético, já que a família do homem morto, um senhor de 98 anos, diz que ele nunca deu o aval para que seu corpo ficasse “à disposição da ciência”.

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Educacional ou macabro?

Contudo, apesar de ter cobrado para que as pessoas vissem o processo de autópsia do idoso, trata-se de um procedimento com caráter educacional, já que foi tocado por um profissional experiente. Mas o nome dado ao evento pode enfraquecer um pouco a tese de que se tratava de uma “aula”.

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O evento, que ocorreu em um salão de festas de um hotel no estado do Oregon, nos Estados Unidos, foi chamado de “Exposição de Esquisitices e Curiosidades”. Isso sugere que o caráter mórbido do evento foi um chamariz muito maior do que a parte “educacional” da apresentação.

Para piorar a situação, o idoso, identificado como David Souders, faleceu em decorrência da Covid-19, segundo sua certidão de óbito. Não se sabe se ele ainda estava infectado após a morte, porém, é comum que até mesmo funerais de vítimas da Covid-19 sejam mais restritos.

Evento ‘muito educativo’

Instrumentos cirurgícos
Participantes do evento puderam tocar o corpo com o uso de luvas cirúrgicas. Crédito: Andre Roque Almeida/Shutterstock

Em entrevista à agência de notícias France-Presse (AFP), o organizador do evento, Jeremy Ciliberto, defendeu que a autópsia ao vivo tinha o objetivo de ser uma experiência educacional para pessoas interessadas em anatomia humana. Segundo ele, o evento foi muito educativo.

Alguns vídeos obtidos por uma emissora de TV local, porém, mostram que algumas pessoas que acompanhavam a autópsia ao vivo puderam até mesmo tocar no corpo, usando luvas cirúrgicas. Ciliberto, porém, defende que tudo foi muito respeitoso à memória de Saunders.

Responsabilidade da doadora do cadáver

“Posso garantir que aquele homem sabia que seu corpo seria usado para pesquisas médicas”, disse o organizador do evento à AFP. Contudo, até mesmo a empresa que forneceu o corpo para autópsia ficou surpresa ao saber que ele foi aberto ao vivo para uma plateia pagante.

Para o representante da fornecedora do cadáver, a Med Ed Labs, Obteen Nassiri, o corpo seria usado em alguma instituição de ensino da medicina para o estudo de anatomia. A empresa assumiu total responsabilidade pelo ocorrido e prometeu custear a devolução do corpo à família para cremação.

Via: Futurism

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