O ex-astronauta Garrett Reisman, que deixou a Nasa em 2011, contou recentemente sobre a vez em que quase se afogou com a própria água durante uma caminhada espacial, em um tom de curiosidade e alívio por ainda estar entre nós.

“Dica de astronauta #217: certifique-se de que sua válvula bucal esteja firmemente ajustada à sua bolsa de água”, ele disse em seu perfil no Twitter. “Quando eu vi a minha [água] flutuar DENTRO do meu capacete, não fiquei muito empolgado com a possibilidade de ser o primeiro astronauta a morrer afogado durante uma caminhada…”

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Felizmente, tudo acabou bem. Segundo um tuíte seguinte, o que escapou da bolsa foram pequenas gotículas e o conteúdo ficou seguro dentro do recipiente, dando ao ex-astronauta da Nasa o tempo necessário para retornar a uma escotilha e reforçar os ajustes.

Os trajes usados pelos astronautas são selados por todos os lados, isolando os viajantes espaciais de praticamente todo fator externo – uma necessidade no espaço já que, convenhamos, apenas a temperatura incrivelmente fria ou a radiação solar completamente irrestrita seriam mais que suficientes para causar um estrago irreparável no corpo humano. Entretanto, esse isolamento pode funcionar contra o astronauta caso algo de dentro do próprio traje venha a vazar, sem possibilidade de escapar para fora.

Durante caminhadas espaciais os astronautas têm, todos, uma pequena bolsa d’água acoplada a um tipo de mordedor – muito parecido com os protetores bucais que você vê na boca de lutadores profissionais, com a diferença de que, para os astronautas, há uma saída por onde eles podem beber água e se hidratar.

Pelo que Reisman conta, o problema com a bolsa dele não foi no mordedor em si, mas sim na mangueira que o conecta à bolsa. Aparentemente, ali a válvula estava frouxa.

Caso similar ocorreu em 2013: o astronauta italiano Luca Parmitano também teve um vazamento em sua bolsa – bem mais severo que o de Reisman – que vazou quase que inteira dentro do seu capacete:

“Eu comecei a me mover em direção à saída da cabine e a água continuava a encher [o capacete]”, ele contou em um relatório para a Nasa. “A água cobria completamente meus olhos e nariz. Estava muito difícil enxergar e eu não conseguia ouvir nada. Era difícil de me comunicar então eu comecei a voltar apenas pela minha memória do caminho certo, até encontrar a escotilha”.

O relatório da Nasa diz que esse foi o incidente mais sério relacionado a um traje espacial.

No caso de Reisman, não está claro sobre qual caminhada ele se refere quando conta do incidente: segundo a agência espacial americana, ele participou de caminhadas variadas entre 2008 e 2010. Ao deixar a Nasa no ano seguinte, Reisman assumiu uma posição de consultoria para a SpaceX, onde segue trabalhando até hoje.

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