A agência espacial norte-americana (Nasa) selecionou uma nova missão para estudar e detalhar o comportamento de tempestades elétricas e tropicais por meio de análises via satélite. A ideia é posicionar três pequenos satélites SmallSats – cada um com menos de 180kg -, que devem ser lançados em 2027 como parte do Programa Earth Venture.

Fenômenos naturais de grande impacto têm se tornado cada vez mais frequentes, cortesia do aquecimento global. No meio deste ano, a passagem do Furacão Ida por Nova Orleans e Illinois, nos EUA, deixou um rastro de destruição tão grande que fez da tempestade atlântica a segunda mais cara da história do país – atrás apenas do Furacão Katrina, em agosto de 2005.

publicidade

Leia também:

Imagem de um furacão se formando no oceano da Terra. Missão da Nasa quer antecipar tempestades do tipo para reduzir impacto na população
A ocorrência de tempestades tropicais, furacões e eventos climáticos extremos poderá ser melhor estudada em nova missão da Nasa, a ser lançada em 2027 (Imagem: Harvepino/Shutterstock)

O sistema de satélites é chamado de “INCUS” (sigla em inglês para “Correntes Convectivas”, em referência a um tipo de corrente de ar direcionada de baixo para cima). A escolha se deu após a Nasa abrir licitação para a criação de uma solução de “investigação completa, espacial, que produza dados científicos de importante relevância para o campo de ciências da Terra”. Em março de 2021, a agência recebeu 12 propostas.

“Cada uma de nossas missões de ciências da Terra é cuidadosamente selecionada para adicionar a um robusto portfólio de pesquisas sobre o planeta onde vivemos”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretório de Missões Científicas da Nasa, em Washington. “[O] INCUS preenche um nicho importante para nos ajudar a entender eventos climáticos extremos e seus impactos em modelos computadorizados – tudo a serviço da oferta de informações cruciais necessárias para minimizar o impacto desses episódios nas nossas comunidades”.

De uma maneira (muito) resumida, o INCUS pretende analisar dados relacionados a precipitações severas (chuvas muito fortes), bem como nuvens mais densas e tempestades elétricas, determinando não só como, mas também onde elas se formam. Com base nisso, o sistema atualizará modelos preditivos de eventos climáticos e, com sorte, ajudará serviços de emergência a melhor anteciparem a chegada desses efeitos e aprimorar processos como a evacuação de cidadãos e a análise preditiva de custos de reparos.

“Em um clima que está sempre mudando, informações mais precisas sobre como tempestades se desenvolvem e se intensificam podem ajudar a aprimorar modelos climáticos, bem como a nossa habilidade de prever o risco de casos extremos”, disse Karen St. Germain, Diretora da Divisão de Ciências da Terra na Nasa. “Essa informação não só aprofunda o nosso conhecimento científico sobre os processos mutantes da Terra, mas também nos ajuda a melhor informar as comunidades do nosso mundo”.

O desenvolvimento da missão já começa no momento da seleção feita pela Nasa. Segundo a agência, vários de seus escritórios participarão nesse processo, como o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL-Caltech), o Centro de Voo Espacial Goddard em Maryland e o Centro de Voo Marshall, no Alabama, entre outros.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!