Hideo Kojima é um ícone dos videogames. O designer japonês criador da série ‘Metal Gear’ e de jogos como ‘Death Stranding’ é reconhecido mundialmente – para além da indústria dos games – como um grande contador de histórias. Mas tem um anime que fez Kojima chorar: ‘Violet Evergarden’.

Não faltaram elogios à série da Kyoto Animation nas redes sociais do artista. “Nunca tinha visto ‘Violet Evergarden’, nem na TV nem nos cinemas, e só conhecia o título de um comercial da versão do filme”, ​​contou Kojima. “Estou feliz por ter assistido. Chorei um pouco no fim”.

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A produção, disponível na Netflix, se passa num mundo pós-guerra, com a sociedade tentando, aos poucos, se reconstruir. A protagonista, Violet, é Autômata de Automemórias, que após se usada como arma no conflito, passa a trabalhar como ghostwriter para pessoas que precisam de ajuda para transmitir suas verdadeiras emoções nas cartas.

A cada episódio, Violet tem contato, através do seu trabalho, com as diferentes formas com o que a guerra afetou os dois lados do conflito. Ao mesmo tempo, ela tenta entender por que seu comandante em campo a salvou, às custas da própria vida, no último combate.

‘Violet Evergarden’ foi lançada em 2015 com uma série de light-novels escrita por Kana Akatsuki e ilustrada por Akiko Takase. A Kyoto Animation começou sua adaptação para anime no mesmo ano, com direção de Taichi Ishidate e Haruka Fujita. A série teve 13 episódios em 2018 e foi seguida pelo lançamento de um OVA (filme) em 2019, ‘A Eternidade e a Boneca de Automemórias’ e um filme em 2020, que conclui a trama.

A produção teve que ser adiada após o incêndio criminoso nos estúdios da Kyoto Animation, em 18 de julho de 2019, que matou 36 pessoas – incluindo vários artistas. O filme sofreu o novo atraso com a pandemia Covid-19. “Eu costumava ser um escritor de cartas”, afirmou Kojima, se identificando com a história do anime, “mas não acho que escrevi uma carta em cerca de 10 anos”.

Recentemente, Kojima completou 58 anos e prometeu permanecer criativo enquanto puder. Também em um tweet, ele reconheceu que seu corpo físico está em declínio por conta do passar dos anos, porém sua imaginação está mais afiada do que nunca. “Embora meu corpo esteja falhando, minha criatividade ainda não está diminuindo. Até que meu cérebro perca o poder criativo, continuarei a me esforçar para criar coisas. Esse é o meu instinto, e é isso que adoro fazer. Obrigado”, escreveu.

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Atualmente, o artista trabalha em um novo jogo que “muda em tempo real”, de acordo com a localização do jogador ou o com o que ele ou ela está pensando. Em entrevista ao site japonês An-an, o designer japonês falou que gostaria de “algo que mudasse com base em onde a pessoa mora ou no que ela pensa” e criticou a mesmice na indústria.

“O que eu gostaria de fazer são jogos que mudem em tempo real”, declarou um dos poucos nomes no meio gamer que ainda pode se dar ao luxo de perseguir ideias pouco (ou nada) convencionais. “Mesmo que finalmente tenhamos pessoas de todas as idades e ocupações de todo o mundo jogando o mesmo game, isso ainda significa que todos, e eu digo todos mesmo, jogam a mesma experiência. Todas as vezes”.

Via: CBR

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