Um novo paper publicado na revista Nature mostra que o aumento da temperatura global não tem nenhum precedente histórico nos últimos 24 mil anos, período da última era do gelo vivida pela Terra.

Em termos leigos, isso significa que, embora exista uma natureza cíclica de variação climática na Terra – ou seja, de tempos em tempos, o planeta esfria e esquenta naturalmente -, o atual aquecimento global é um problema criado majoritariamente pela atividade humana.

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O aumento da temperatura global é causa direta da ação humana, segundo estudo da Universidade do Arizona.

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A emissão de gases do efeito estufa é o maior colaborador para o avanço do aquecimento global, segundo novo estudo publicado na revista Nature (Imagem: pedrosala/Shutterstock)

“A nossa reconstrução sugere que as temperaturas atuais são sem precedentes nos últimos 24 milênios, além de indicar que a velocidade do aquecimento global causado pelo homem é maior do que qualquer coisa que tenhamos visto no mesmo período”, disse Jessica Tierney, professora associada de Geociências da Universidade do Arizona e co-autora do estudo.

O estudo atingiu três conclusões principais: os principais fatores de complicação das mudanças climáticas são o aumento da concentração de gases do efeito estufa e a retração dos mantos de gelo nas regiões polares; há uma tendência de aumento de temperatura global que se iniciou nos últimos 10 mil anos e, finalmente, a velocidade de aquecimento da Terra nos últimos 150 supera – muito – a velocidade do mesmo aquecimento nos últimos 24 mil anos.

“O fato de hoje estarmos tão sem controle em relação ao ponto de considerarmos isso normal é motivo para alarme e deveria ser algo surpreendente para todos”, disse Matthew Osman, pesquisador pós-doutorado de Geociências na mesma instituição e co-autor do estudo, que criou mapas globais de variação térmica, com mudanças de temperatura ocorrendo em intervalos de 200 anos, voltando 24 milênios na história.

“Esses mapas são muito poderosos”, disse Osman. “Com eles, é possível para qualquer pessoa explorar como as temperaturas mudaram por toda a Terra, em níveis bem pessoais. Para mim, ser capaz de visualizar 24 mil anos de evolução térmica da posição onde me sento hoje, ou de onde eu cresci, realmente ajudou a criar em mim uma percepção do quão grave é o aquecimento global hoje”.

Em termos práticos, o time liderado pelos dois cientistas usou uma ciência conhecida como “paleoclimatologia”, ou seja, a capacidade de analisar restos pré-históricos (rochas sedimentares, fósseis etc.) para traçar um pano de fundo básico sobre o clima da época. Depois disso, essas percepções primárias foram inseridas em simulações computadorizadas que criaram modelos mais precisos de como o clima – e como ele se alterou – dentro da linha do tempo estimada pelo estudo.

Esse método é conhecido como “assimilação de dados”: ambos podem ser usados sozinhos, mas em conjunto, um amplia a força do outro e cria um panorama mais completo.

“Com esse método, nós conseguimos aproveitar os méritos de bases de dados exclusivas, para gerar reconstruções espacialmente completas, dinamicamente consistentes e restritas em observação”, disse Osman, que ressaltou que a ideia agora será empregada para investigar mudanças climáticas ainda mais antigas.

“Estamos empolgados para aplicarmos essa abordagem a climas antigos, que eram mais quentes que hoje”, disse Tierney. “Isso porque tais períodos são, essencialmente, janelas para o nosso futuro, à medida que as emissões de gases do efeito estufa aumentam”.

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