A Comissão Federal de Comunicação (FCC) autorizou a Boeing a oferecer serviços de conexão à internet via satélite, um projeto que a empresa aeroespacial havia submetido à avaliação do órgão regulatório em meados de 2019.

Na prática, a concessão da FCC permite que a Boeing crie, lance, mantenha e opere satélites na órbita da Terra, oferecendo uma plataforma de conexão à internet para áreas onde a cobertura por fibra óptica e outros meios mais tradicionais é menos favorecida, além de entrar em um espaço onde se destacam empresas como a SpaceX, de Elon Musk, e a OneWeb.

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Imagem de um banner da Boeing, que vai oferecer internet via satélite para o consumidor
De olho em um mercado dominado pela SpaceX, a Boeing conseguiu autorização da FCC para criar e oferecer uma plataforma de internet via satélite para o público consumidor (Imagem: Michael Vi/Shutterstock)

Segundo o projeto da Boeing, a sua constelação de internet via satélite deve ser composta por 132 satélites na baixa órbita, a uma altitude de 1.056 quilômetros (km). Outros 15 satélites adicionais devem ser colocados em uma “órbita não geoestacionária”, localizada entre 27.355 e 44.221 km de distância da superfície da Terra.

De acordo com a descrição do projeto, isso permitirá à empresa oferecer “serviços de conexão de internet banda larga para consumidores residenciais, governamentais e empresariais nos Estados Unidos, Porto Rico e Ilhas Virgens”. Esses dois últimos, para quem não sabe, são “territórios não incorporados” dos EUA, e estão sujeitos às mesmas legislações de cidadania vigentes na parte continental do país.

No lado técnico da coisa, a Boeing pretende oferecer internet via satélite dentro da frequência “V-band” (75 GHz): por um lado, isso pode significar conexões de velocidade mais alta que as concorrentes. Por outro, a “V-band” é mais propensa a interferências e quedas por seu sinal não atravessar a maioria dos objetos sólidos. Em termos simplistas, uma parede muito grossa pode reduzir a velocidade ou mesmo impedir a conexão.

A SpaceX, hoje, usa as frequências “Ka” e “Ku” (26,5 a 40 GHz). Embora mais lentas, elas têm maior estabilidade mesmo se tiverem que atravessar diversos objetos. Não é à toa que, além da SpaceX, a OneWeb e linhas aéreas que oferecem internet em seus aviões também trabalham com essas frequências. O ainda não lançado “Projeto Kuiper”, da Amazon, também irá utilizá-las.

Vale lembrar, porém, que a SpaceX e a OneWeb já anunciaram que terão versões de seus serviços no futuro dentro da frequência V-band.

No passado, a SpaceX havia manifestado à FCC a sua vontade contrária ao lançamento de tal serviço pela Boeing. À Reuters, em 2019, porta-vozes da empresa de Elon Musk afirmaram que a Boeing estaria apenas congestionando ainda mais uma região já bastante ocupada do espaço, o que poderia aumentar o risco de colisão – ironicamente, estudos já mostraram que a própria SpaceX foi protagonista de algumas “quase trombadas” entre satélites.

Nem tudo saiu de acordo com os desejos da Boeing, porém: a permissão concedida pela FCC rege que a empresa tem seis anos para lançar pelo menos metade da sua constelação de satélites, e nove anos para disponibilizá-la por completo. A Boeing queria uma leniência no prazo de lançamento de sua internet via satélite, mas a FCC negou esse pedido.

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