Enquanto a ONU promove o evento COP26 para discussões de políticas climáticas, alguns países da África já sofrem com o avanço do aquecimento global. Caso recente é o da maré alta que pegou Gana desprevenida, tirando mais de 4 mil pessoas de suas casas na região do lago Volta, impactando vários distritos.

“Tivemos ondas de maré ao nascer do Sol de domingo”, disse George Ayisi, porta-voz da Organização Nacional de Gerenciamento de Desastres. “No distrito de Keta, foram 1.557 pessoas deslocadas e 239 casas afetadas. No distrito de Anloga, foram 1.394 deslocados e 134 casas impactadas. Finalmente, no sul de Ketu, 1.027 pessoas deixaram 149 lares”.

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Imagem de uma zona litorânea de maré baixa em Gana
Cerca de um quarto da população de Gana vive na região litorânea do país, que se estende por 550 km e é assistida amplamente por negócios relacionados à pesca (Imagem: TG23/Shutterstock)

Segundo Ayisi, essa foi a terceira alta de maré em Gana em 2021, mas também foi a mais pesada. O especialista disse que, além de casas destruídas, as ondas invasoras também afetaram escolas e pelo menos um cemitério. “[A situação] está se tornando mais preocupante – veja os números e as pessoas afetadas. O nível do mar está aumentando, é definitivamente um problema do aquecimento global“.

A zona litorânea de Gana se estende por 550 km, e cerca de 25% da população do país vive na região ou próxima a ela. Ao longo dos últimos anos, o país vem conduzindo esforços para minimizar os efeitos do aumento do nível do mar – o chamado Projeto Blekusu de Proteção Costeira, completado em 2019, que posicionou barricadas de pedras em pouco mais de 4 km do litoral.

Uma segunda fase da iniciativa, que promete cobrir mais de 8 km, deve começar “logo”, segundo o Ministro do Trabalho e Moradia, Francis Asenso Boakye.

Segundo as autoridades locais, o governo já está prestando auxílio aos afetados pela maré alta em Gana, fornecendo comida, roupas, sabão e redes anti mosquito. No que tange à moradia, idosos e crianças – tido como público vulnerável – estão sendo mantidos em escolas de regiões centrais, igrejas e centros comunitários. Adultos e trabalhadores, contudo, estão retornando ao litoral. “Eu vi alguns pescadores consertando suas redes”, disse Emmanuel Gemegah, líder comunitário em Keta. “Eu acho que eles estão se preparando para voltar ao trabalho assim que as águas baixarem”.

Segundo estimativas da ONU, mais de 100 milhões de pessoas abaixo da linha mundial da pobreza na África serão afetadas pelo aquecimento global.

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