Uma experiência inusitada feita por cientistas de Taiwan com pupas de bichos-da-seda obteve resultados surpreendentes. Eles criaram uma ração para gatos que, além de dar mais energia aos felinos, diminuiu significativamente o mau cheiro de suas fezes.

Na centenária Estação de Pesquisa e Extensão Agrícola de Miaoli, onde o alimento foi criado, centenas de bichos-da-seda se contorcem em bandejas enquanto mastigam folhas de amoreira. A instalação abriga 136 variedades desse animal, que nada mais é do que a lagarta da mariposa Bombyx mori.

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Cientistas de Taiwan desenvolveram comida de gato a partir de pupas de bicho-da-seda. Imagem: Estação de Pesquisa e Extensão Agrícola de Miaoli

Segundo o site Phys, a pupa é o estágio intermediário do ciclo de vida dos bichinhos, quando formam casulos para a transição da larva para adulto.

“Quando vemos bichos-da-seda, logo pensamos em tecidos de seda”, diz a pesquisadora Liao Chiu-hsun, enquanto corta cuidadosamente a parte de cima de um casulo para extrair uma larva marrom que se contorce. “Mas esses insetos altamente domesticados têm muito mais a oferecer”.

Segundo Chiu-hsun, as pupas já são naturalmente ricas em proteínas, gorduras e minerais, mas sua equipe desenvolveu uma técnica para aumentar o grau de proteínas do sistema imunológico que matam bactérias nocivas dentro do hospedeiro.

Como? Estressando os bichos-da-seda para fazê-los pensar que estão em perigo. Assim, eles produzem mais dessas proteínas no casulo, sendo posteriormente colhidos e transformados em comida de gato.

A técnica tem uma pitada de crueldade, é verdade, mas é o que garante o aproveitamento total das larvas, que até então “desperdiçadas” e consideradas como resíduo da produção da seda. 

Mercado de alimentos para pets é lucrativo em Taiwan

Isso pode representar uma tábua de salvação em potencial para os últimos produtores de bicho-da-seda remanescentes de Taiwan. Antigamente, existiam centenas deles, e, hoje em dia, são apenas dois em atividade na ilha.

Hsu Wei-chun, fazendeiro de terceira geração de produtores, diz que não é mais economicamente viável cultivar os insetos apenas para a fabricação de tecidos. As folhas de amoreira já são usadas para fazer chá, por exemplo, e casulos podem ser usados ​​em cosméticos. “Nossa competitividade vem da capacidade de usar tudo”, explica Hsu. “Aproveitamos cada parte para manter os custos baixos”.

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O mercado de alimentos para pets em Taiwan apresenta uma oportunidade lucrativa, já que a posse de animais está em ascensão, e a economia ao redor é avaliada em mais de US$1 bilhão (R$5,5 bilhões, aproximadamente).

Uma lata de ração de gato feita com bicho-da-seda custa o equivalente a quase R$13,40, o que é um pouco mais caro do que a média de comida de gato enlatada em Taiwan. “Embora seja um pouco mais caro, sinto que o nível de aceitação de alimentos enlatados [para animais] sustentáveis ​​e ecológicos é bastante alto aqui”, disse Lee Wei-ting, chefe do departamento de criatividade cultural e marketing digital da National United University.

Ele parece estar certo, pelo menos de acordo com a resposta do mercado, já que pet shops da Coreia, Japão, Tailândia e EUA também já manifestaram interesse no produto.

Variedade de sabores agrada paladar dos gatos que testaram o produto

De acordo com os criadores da ração, os maiores interessados também aprovaram o produto. Os gatos, obviamente. 

Um lar comunitário para bichanos em Taiwan, que atualmente acomoda 15 deles, serviu como base de teste para os cientistas do Miaoli avaliarem a aceitação de sua invenção. 

Gatos de um lar comunitário de Taiwan testaram e aprovaram a ração feita de bicho-da-seda. Imagem: Estação de Pesquisa e Extensão Agrícola de Miaoli

“Eles têm mais energia e menos fezes fedorentas, o que é mais do que eu esperava”, diz Rosa Su, gerente do local, que é popularmente conhecido como um “Cat Café”. Outros proprietários envolvidos no teste também deram um retorno positivo.

Esse efeito positivo nos excrementos acontece porque, segundo os produtores, a pupa do bicho-da-seda é capaz de eliminar bactérias intestinais prejudiciais, o que também dá mais disposição aos gatinhos.

Atum, milkfish (um pequeno peixinho prateado), carne e frango são alguns dos sabores artificiais da iguaria, o que faz seus consumidores se deleitarem tanto, que nem parece que a comida é feita de larvas.

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