Onde você está? Parece incrível, mas a cada dia que passa será mais difícil responder essa pergunta. Em alguns casos, ela poderá até mesmo nos constranger. Teremos que olhar em volta e nos preparar bem para respondê-la. Estaremos todos divididos entre ficar em nossas casas, ir ao local de trabalho, dar expediente de algum lugar agradável e outras várias e quase infinitas alternativas. Como se não bastasse, surge nas redes o instigante vídeo de Mark Zuckerberg dando conta que nada disso de verdade importa: o lugar mais valioso onde desejaremos e deveremos estar será o Metaverso.

Segundo o visionário e bilionário criador do Facebook é lá que trabalharemos daqui a alguns anos. Será nesse novo universo que nos relacionaremos com os amigos, aprenderemos, negociaremos, passearemos, talvez até namoremos – ou seja, viveremos. O Metaverse anuncia-se como o futuro da internet. É um sucessor natural dos “faces e instas” e o novo projeto de Zuckerberg. Nele avatares nossos poderão se teletransportar para diferentes situações e ambientes em um contexto de realidade virtual de altíssima definição e qualidade.

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Se nossa mente já estava suficientemente confusa, agora piorou. Enquanto os gurus da paz de espírito nos ensinam que viver cada momento e estar inteiramente presente onde se está é de fato a receita para encontrar o equilíbrio e a felicidade, o mundo e a tecnologia nos cobram onipresença. Atributo bíblico que, até agora, supostamente apenas Deus teria. Tudo isso desperta em nós, ao mesmo tempo, maravilhamento e desencanto. De certa forma, voltamos para as bases da filosofia e, por que não, da melancolia.

Obviamente, a demanda por estarmos presentes em diferentes lugares simultaneamente terá impactos em outras dimensões de nossas vidas. Os resultados, a produtividade e, em especial, a sensação de realização por um trabalho bem-feito estão em jogo. No que se

refere à produtividade, por exemplo, vale refletir sobre o que a pandemia nos ensinou. Antes dela, já tínhamos atingido índices bem elevados, afinal fazia décadas que vínhamos aprimorando nossa forma de trabalhar para fazer mais rápido, mais barato e melhor. Durante o isolamento social todos achamos que nossa capacidade de produzir diminuiria. Surpreendentemente aumentou ainda mais em alguns setores, como o de serviços de tecnologia. Houve redução de custos, o que, de certa forma, também representou produtividade maior. O tempo nos deslocamentos foi incorporado à jornada e os minutos no café e no social simplesmente sumiram. Vale lembrar que, com exceção das farmácias, padarias e supermercados, quase tudo à nossa volta estava fechado.

Agora vivemos um novo momento. Repleto de dúvidas sobre a volta ao presencial, regras não claras e com tudo aberto. Parques, clubes, lazer e atrações de todo tipo. Arriscaria dizer que nossa produtividade já não é mais a mesma do período pré nem dos tempos de pandemia plena. Meu palpite é que cairá a patamares desconhecidos: depois de tempos de medo e reclusão, as pessoas sentem que escaparam da morte e querem viver. Há uma demanda reprimida por atividades ao ar livre que, neste momento, é impossível mensurar.

Independentemente disso, estamos confusos e nômades. Precisaremos humildemente reaprender que caminhos seguir nesse novo contexto. Temos ouvido bizarrices diversas de dirigentes, que defendem rastreamento das equipes, por exemplo. E estamos certos de que mais uma vez prevalecerão as organizações que tiverem a confiança e o engajamento de seus colaboradores. Os verdadeiros líderes estão pensando nisso. E você? No que acredita?

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