Astrônomos do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá acreditam ter encontrado a resposta para uma pergunta constante no setor: o que está “matando” as galáxias do universo? Os dados, coletados com a ajuda do “Atacama Large Millimeter/submillimeter Array” (“ALMA”, para os íntimos) serão publicados na próxima edição do Astrophysical Journal Supplement Series.

O paper explica como a coleta de dados serviu para realizar o que chama de “maior mapeamento de elementos formadores de galáxias”. Mas ao mesmo tempo em que nos ajuda a entender como elas nascem, o documento também nos oferece mais informações sobre o fim delas.

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Imagem mostra o Aglomerado de Virgem, objeto de um estudo que identifica efeitos que estão "matando galáxias"
O Aglomerado de Virgem, um imenso aglomerado próximo à Via Láctea e dotado de um ambiente tão inóspito que, nele, galáxias literalmente morrem (Imagem: Chris Mihos/Case Western Reserve University/ESO)

“Nós sabemos que o ambiente ao redor está matando as galáxias, e nós queremos saber o motivo”, disse Toby Brown, pesquisador associado da Plaskett Fellowship no conselho canadense e co-autor do estudo, intitulado “Virgo Environment Traced in Carbon Monoxide Survey”, ou apenas “VERTICO”, na sigla resumida. “O que o VERTICO revela é a forma como processos físicos afetam gases moleculares e como isso dita a vida e a morte de uma galáxia”.

A grosso modo, “galáxias” são conjuntos de estrelas que nascem, se desenvolvem e morrem dentro de uma mesma região. A Via Láctea, por exemplo, é a galáxia onde está o sistema solar que abriga a Terra – uma ínfima parte de algo muito maior. Já “aglomerados de galáxias” – basicamente, várias galáxias de variados tamanhos em proximidade entre si – constituem os ambientes mais extremos vistos no espaço, atraindo a atenção de diversos estudiosos.

Um desses está bem próximo de nós, aliás: o “aglomerado de Virgem”, há 65,23 milhões de anos-luz, é um conjunto bem simples de ser observado, devido à sua localização e seu imenso tamanho: “ele é bastante incomum no sentido de que tem uma população relativamente ampla de galáxias que ainda está dando a vida a várias estrelas”, disse Christine Wilson, professora da Universidade McMaster e investigadora adjunta do VERTICO. “Muitos aglomerados de galáxias no universo são dominados por galáxias vermelhas, que apresentam pouco gás e quase nenhuma formação estelar”.

Observando 51 galáxias do aglomerado, os pesquisadores identificaram um sistema tão inóspito e nocivo que consegue até impedir que as estrelas venham a nascer na região – efetivamente impedindo a continuidade dessa parte do aglomerado de Virgem. Em termos leigos, “matando galáxias” inteiras ao impedir que a morte das estrelas seja compensada pelo nascimento de novos astros.

“O aglomerado de Virgem é uma das regiões mais extremas do universo local, cheia de plasma que atinge milhões de graus de temperatura, velocidades galáticas extremas, interações muito violentas – a grosso modo, um cemitério de galáxias”, disse Brown. “A remoção de gases é um dos mecanismos mais espetaculares e mais violentos que podem ‘desligar’ a capacidade de formar estrelas das galáxias”.

Segundo ele, “esse fenômeno ocorre quando as galáxias se movem tão rápido pelo plasma do aglomerado que a ampla quantidade de gás molecular resfriado é removida delas, como se a poeira cósmica estivesse sendo varrida por uma vassoura cósmica gigante. A comprovada qualidade das observações do VERTICO nos permitiu enxergar melhor e compreender esses mecanismos”.

O paper ainda a ser publicado é o primeiro feito pela iniciativa VERTICO, mas Brown e Wilson asseguram que outros virão, também assinados pelo projeto.

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