Alguns pais de crianças portuguesas estão bastante preocupados com os efeitos que o YouTube pode ter sobre a forma de falar dos seus filhos. Por conta do consumo de conteúdo produzido por youtubers brasileiros, muitas crianças estão usando expressões do português brasileiro.

Exemplo desse fenômeno é a troca de termos do português de Portugal, como relva, autocarro e riscas, por palavras que são do português brasileiro, como grama, ônibus e listras. Com isso, alguns pais de crianças portuguesas chegam a procurar fonoaudiólogos para tentar reverter esse cenário.

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Enxergar tal fato como um problema pode ter um componente racista, conforme descreve uma reportagem do jornal português Diário de Notícias. Alguns pais vêem o fato de seus filhos falarem como um brasileiro como se fosse um “vício” e algo prejudicial para as crianças.

Vício em PT-BR

“Neste momento estamos num processo de tratamento como se fosse um vício”, disse Alexandra Patriarca, que é mãe de Antônio, uma criança portuguesa de apenas três anos, ao Diário de Notícias. “Explicamos que ele não pode ver porque isso só o prejudica”, disse a mãe.

Segundo Patriarca, Antônio foi proibido de ver vídeos de youtubers brasileiros, como Lucas Netto, que lotou uma casa de shows em Portugal no último fim de semana. Agora, o menino só tem acesso a conteúdos da Netflix ou que sejam produzidos por youtubers portugueses.

Segundo os pais de uma outra criança portuguesa, Laura, também de três anos, esse fenômeno acontece por conta da quantidade de conteúdos produzidos para crianças por brasileiros. Por termos uma população maior, é normal que existam muito mais youtubers brasileiros do que portugueses.

A culpa é do algoritmo?

De acordo com o pai de Laura, Jaime Pessoa, os algoritmos do YouTube contribuem para isso. “Quando acaba o vídeo do Panda e os Caricas [desenho português], aparece logo outro desses, que é muito mais apelativo”, disse Jaime sobre os vídeos de youtubers como Lucas Netto.

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Para especialistas ouvidos pelo jornal lusitano, porém, o problema não é o fato de crianças portuguesas estarem “falando como brasileiros”, mas o tempo de exposição às telas. Segundo a terapeuta Bruna Antunes, é mais importante que os pais observem o tempo que os filhos passam nas telas.

Via: Diário de Notícias

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