De acordo com dados divulgados pelo governo federal, o desmatamento da floresta amazônica bateu um novo recorde em outubro, em comparação com todas as medições anuais referentes a esse mês. A informação foi divulgada na última sexta-feira (12), poucos dias depois que o presidente Jair Bolsonaro anunciou metas ambientais ambiciosas na COP26 – a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas.

Jair Bolsonaro assumiu compromisso, durante o COP26, de eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2028. Imagem: Alan Santos/PR – Via Agência Brasil

Uma área de 877 km², o que corresponde a mais da metade do tamanho da cidade do Rio de Janeiro, foi desmatada – a maior já registrada para o mês de outubro desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) começou a documentar o desmatamento da floresta amazônica, em 2016.

publicidade

Extração mineral e atividade agrícola são os maiores responsáveis por desmatamento na Amazônia

Em relação ao mesmo período de 2020, o aumento de área foi de 5%. Atribuído principalmente à mineração ilegal e à atividade agrícola, o desmatamento da Amazônia disparou no ano passado e está a caminho de atingir níveis semelhantes em 2021.

Até agora, já passam de 7,88 mil km² de floresta desmatada, e ainda temos dois meses ainda pela frente.

O Brasil foi um dos signatários de uma promessa internacional feita na cúpula da COP26, em Glasgow, na Escócia, para acabar com o desmatamento até 2030.

Bolsonaro foi mais longe: prometeu eliminar o desmatamento ilegal no Brasil – lar de 60% da Amazônia – até 2028, antecipando a meta anterior em dois anos.

Leia mais:

Amazônia perdeu mais área com Bolsonaro no poder

No entanto, os compromissos foram recebidos com ceticismo por grupos ambientalistas que, junto com líderes da oposição ao governo, culpam Bolsonaro pelo aumento do desmatamento, devido ao seu declarado apoio ao agronegócio e à mineração. Eles também o acusam de tirar fundos de organizações de proteção ambiental.

“Essas promessas não mudam a realidade no solo da floresta”, disse Rômulo Batista, porta-voz da campanha do Greenpeace na Amazônia à agência de notícias AFP. “O desmatamento e as queimadas continuam fora de controle, e a violência contra os povos indígenas e a população tradicional não para de crescer”, acrescentou.

Mais de 11,5 mil incêndios florestais foram registrados pelo INPE na Amazônia em outubro deste ano, um número menor do que os 17,3 mil do ano passado, mas, ainda assim, bem maior do que a quantidade de 2019, que foi de menos de 7,9 mil.

Desde que Bolsonaro assumiu o cargo, em 2019, a Amazônia brasileira perdeu mais de 10 mil km quadrados por ano de cobertura florestal. A média de perda anual na década anterior foi de 6,5 mil km quadrados.

Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!