Depois da Rússia explodir um satélite desativado e jogar mais de 1.500 pedaços dele em direção à Estação Espacial Internacional (ISS), o administrador geral da Nasa, Bill Nelson, disse que a atitude do governo de Vladimir Putin foi “impensável” e “arriscada”.

Logo em seguida, o Ministério da Defesa russo respondeu ao comentário do norte-americano, basicamente, com o que é provavelmente uma versão pomposa da expressão “faz parte, relaxa”:

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Imagem mostra a Estação Espacial Internacional, com a Terra e o Sol ao fundo
Por causa de teste militar executado pela Rússia, os tripulantes da Estação Espacial Internacional (foto) foram forçados a buscarem abrigo em suas respectivas naves. Governo de Vladimir Putin minimizou alertas de risco (Imagem: Nasa/Divulgação)

Na página oficial do ministério, um comunicado assinado pelo ministro Sergei Shoigu disse que “o teste do sistema anti-satélite foi bem sucedido”, dizendo que a iniciativa é “voltada para o futuro”. Shoigu também ressaltou que “os fragmentos resultantes não representam qualquer ameaça às atividades espaciais”.

Paralelamente, um segundo comunicado, emitido pela agência espacial russa Roscosmos, diz: “dezenas de voos em conjunto da antiga Estação Espacial Mir e a ISS criaram condições confiáveis de colaboração internacional até mesmo para a mais complexa das situações. Garantir a segurança das tripulações sempre foi e continua sendo a maior de nossas prioridades”.

Ambos os comunicados foram uma resposta direta a Nelson, que disse, na última segunda-feira (15): “é inacreditável pensar que a Rússia coloque em perigo não apenas os parceiros americanos e internacionais da ISS, mas também os seus próprios cosmonautas”, referindo-se a Oleg Novitskiy e Pyotr Dubrov, que estão morando na estação.

O teste mencionado pelo ministro Shoigu refere-se a um novo sistema de lançamento de mísseis militares, um dos quais o exército russo disparou contra um satélite soviético desativado, destruindo o objeto. A nuvem de destroços acabou posicionada em proximidade à ISS, forçando seus inquilinos a buscarem abrigo em suas respectivas naves de chegada/partida – um procedimento padrão de segurança em caso de emergências.

A situação acalorada parece estar esfriando: Dmitry Rogozin, chefe administrativo da Roscosmos, disse ter conversado com Nelson por telefone nesta terça-feira (16): “tive uma conversa telefônica detalhada com o chefe da administração da NASA, o senador Nelson. As partes declararam [que está] tudo bem. Resumindo, estamos avançando, garantindo a segurança das nossas tripulações na ISS, fazendo planos conjuntos”, comentou o administrador russo em seu perfil no Twitter.

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