Com o passar dos anos, mesmo com os seus percalços, a Black Friday — que ocorre nesta sexta-feira (26) — acabou caindo no gosto popular, se tornando um dos eventos mais importantes para os varejistas e consumidores no Brasil. 

Como de costume, a tendência para 2021 é de uma data mais movimentada que o ano passado, entretanto, especialistas apontam que o evento enfrenta novos desafios, como a inflação e a taxa de juros nas alturas. Dupla que por si só já influencia na decisão de compra do consumidor em outras ocasiões.

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Em meio a esse cenário de crise, o Brasil ainda sofre com outro vilão que vai dificultar a oferta de descontos expressivos: o alto custo de produção. O que ficou em evidência este ano com o forte avanço da cotação do dólar, que no momento da publicação vale R$ 5,60.

Somando todas essas questões, apesar de o consumidor não encontrar dificuldade em quantidade ou variedade de produtos, a tendência é que os descontos sejam menos generosos em 2021.

Poder de compra diminuiu

Black Friday: mesmo com descontos menores, varejo pode faturar R$ 5,5 bi
Poder de compra do brasileiro está em baixa. Imagem: fizkes/Shutterstock

Com inflação e juros elevados, o poder de compra do brasileiro também caiu. Ainda assim, segundo um levantamento da GfK divulgado pela CNN, o consumidor está disposto a gastar o mesmo que na Black Friday do ano anterior. Contudo, Fernando Baialuna, diretor de negócios e varejo da GfK, ressalta: “Mesmo com esse desejo, é difícil estimular a compra, porque os preços estão mais altos e há a restrição de renda”, diz.

Sobre os descontos, o executivo aponta: “Acho que vai cair bastante, até porque muitos equipamentos estão até 30% mais caros. Para algumas categorias, de eletroeletrônico e eletroportátil, (o cliente) deve pagar, no máximo, o preço de janeiro”, diz.

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Expectativas para a Black Friday em 2021

Segundo os analistas, a data representa cerca de 4% das vendas anuais no varejo. Considerando que a expectativa de vendas para o setor em 2021 é de R$ 150 bilhões a R$ 160 bilhões, a Black Fiday deve levantar cerca de R$ 5,5 bilhões — em 2020, as vendas foram de cerca de R$ 5 bilhões.

No geral, a expectativa é que a Black Friday de 2021 mantenha a tendência de 2020: um aumento no faturamento, entretanto com uma quantidade menor de vendas. 

Além do domínio dos eletrônicos, também há expectativa de que outras categorias de produtos ganhem espaço, como o setor de alimentos, por exemplo, que segue bastante afetado pela inflação.

Por fim, vale ressaltar que o propósito da Black Friday difere no Brasil se comparado com a data original criada nos Estados Unidos. Por lá, o evento funciona como queima de estoque das lojas antes do Natal. Já no Brasil, a Black Friday acaba se estendendo por semanas.

Imagem principal: PopTika/iStock

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