Nesta segunda-feira (22), a Nasa anunciou que, devido à necessidade de realização de testes adicionais do telescópio espacial James Webb, o lançamento que estava programado para 18 de dezembro foi adiado em, no mínimo, quatro dias. Conforme noticiado pelo Olhar Digital, o lançamento já foi adiado antes.

Segundo a agência, o observatório não decola antes do dia 22, até que sejam solucionados os problemas identificados no adaptador do veículo lançador Arianespace Ariane 5, que foram detectados durante as operações nas instalações de preparação de satélites em Kourou, Guiana Francesa, realizadas sob responsabilidade geral da Arianespace.

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Telescópio espacial James Webb, da Nasa, durante as operações de teste no Parque Espacial Northrop Grumman, na Califórnia. Imagem: Nasa / Chris Gunn

De acordo com um comunicado emitido pela Nasa, os técnicos estavam se preparando para anexar o telescópio espacial ao adaptador do veículo lançador, que é usado para integrar o observatório com o estágio superior do foguete Ariane 5, quando ocorreu um incidente. O arremesso repentino e imprevisto de uma braçadeira – que prende Webb ao adaptador do veículo de lançamento – causou uma vibração em todo o observatório.

Um conselho de revisão de anomalias liderado pela agência foi imediatamente convocado para investigar os fatos e ordenou a realização de testes adicionais para determinar com certeza que o incidente não danificou nenhum componente. 

Assim que os testes forem concluídos, o que está previsto para o final desta semana, a Nasa e seus parceiros de missão fornecerão uma atualização mais precisa sobre as condições de lançamento do telescópio espacial.

O que é o telescópio espacial James Webb?

O telescópio espacial James Webb (JWST, James Webb Space Telescope) é um telescópio espacial desenvolvido por uma parceria entre a NASA e outras agências espaciais, projetado para observar os objetos e eventos mais distantes no universo, como a formação das primeiras galáxias, e detalhar e caracterizar a composição da atmosfera de exoplanetas potencialmente habitáveis, em busca de informações sobre a origem da vida.

Em contraste ao Hubble, que orbita a cerca de 500 Km acima de superfície de nosso planeta, o James Webb ficará a 1,5 milhões de km da superfície, em uma região do espaço conhecida como Ponto de Lagrange L2 no sistema formado pela Terra e o Sol, além da órbita da Terra.

Arianespace Ariane 5 será o foguete responsável por lançar o telescópio James Webb ao espaço. Imagem: PRILL – Shutterstock

Os pontos de Lagrange, batizados em homenagem ao astrônomo francês Joseph-Louis Lagrange, que descobriu dois deles em 1772, são pontos no espaço onde a atração gravitacional exercida por dois corpos (em nosso caso, Terra e Sol) cancela a aceleração centrípeta. Com isso, pequenos objetos colocados lá, como satélites, podem naturalmente se manter em uma posição estável em relação a eles, com poucas correções de órbita necessárias para isso. 

A localização foi determinada, em parte, pelos instrumentos usados no JWST. Como ele foi criado para observar o universo na frequência infravermelha, seu espelho e instrumentos precisam ser mantidos muito frios, a -223 ºC, para que possam operar sem interferência.

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Conheça os instrumentos do observatório

O JWST carrega o Módulo de Instrumentos Científicos Integrado (ISIM, Integrated Science Instrument Module), com quatro instrumentos:

NIRCam (Near InfraRed Camera): uma câmera capaz de detectar luz em comprimentos de onda que variam do limite da luz visível (0,6 micrômetros) até ondas infravermelhas curtas (5 micrômetros). 

NIRSpec (Near InfraRed Spectrograph): um espectrômetro capaz de analisar a luz nas mesmas frequências usadas pela NIRCam. Análise espectrográfica e usada para determinar os elementos que compõem um objeto, como uma galáxia ou a atmosfera de um exoplaneta.

MIRI (Mid-InfraRed Instrument): uma combinação de câmera e espectrômetro que analisará a luz infravermelha em comprimentos médios e longos, entre 5 e 27 micrômetros.

FGS/NIRISS (Fine Guidance Sensor and Near Infrared Imager and Slitless Spectrograph): são na verdade dois instrumentos. O primeiro (FGS) é usado para estabilizar a linha de visão do telescópio durante as observações. Seus dados são usados para controlar a orientação da espaçonave e o espelho responsável por ajustes finos de posição (fine steering mirror), usado no mecanismo de estabilização de imagem. Já o NIRISS (Near Infrared Imager and Slitless Spectrograph) é um módulo para fotografia e espectroscopia astronômica capaz de registrar luz na frequência de 0.8 a 5 micrômetros.  

Tanto a NIRCam quanto o MIRI são equipados com Coronógrafos, usados para bloquear a luz direta de uma estrela para que a luz de sua coroa, e objetos menos brilhantes nas proximidades, possam ser estudados.

Mas o “instrumento” mais visível do James Webb é seu espelho primário, composto por 18 espelhos hexagonais menores feitos de berílio e revestidos com ouro. Berilio foi usado pois é uma substância que combina rigidez, estabilidade de condutividade térmica e baixa densidade. Ou seja, é resistente, leve e eficaz na condução e dissipação de calor, características muito desejadas em uma missão espacial.

Outra caracteristica é o “escudo” prateado, que visto por baixo lembra um Destróier Estelar Imperial, as imensas naves da franquia Star Wars. Este escudo ficará apontado sempre para o Sol, protegendo os delicados instrumentos da luz e calor emitidos por nossa estrela.

Saiba mais sobre o telescópio James Webb neste artigo do nosso colunista Marcelo Zurita.

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