Com as vacinas contra a Covid-19 sendo aplicadas nos adultos, o alvo das campanhas nos próximos meses tende a ser as crianças. A imunização do grupo não é importante apenas para proteger os pequenos da doença, mas também para evitar o surgimento de novas variantes mais contagiosas, como foi o caso da Delta.

Segundo David O’Connor, médico da Universidade de Wisconsin-Madison, isso acontece pois cada infecção, seja ela em crianças ou adultos, dá ao vírus a chance de se modificar para infectar de forma mais eficiente aquele grupo. Ou seja, se o vírus circular entre crianças, mesmo que não cause infecções graves, ainda pode sofrer mutações e se tornar mais resistente a vacinas. 

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O especialista compara as infecções com um bilhete de loteria. Ou seja, sempre que alguém está com o vírus carrega a chance de que aquela amostra sofra uma mutação perigosa. “Quanto menos pessoas estiverem infectadas, menos bilhetes de loteria ele terá e melhor para todos nós em termos de geração de variantes”, explicou.

Crianças e a Covid-19

Ainda de acordo com o médico, mesmo que o vírus circule entre vacinados, as mutações tendem a surgir em quem ainda não possui anticorpos contra a doença. Por isso, as crianças passam a ser olhadas com atenção quando são o único grupo que ainda não é vacinado em massa.

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Inicialmente, as crianças eram consideradas como um grupo que tinha pouca influência no desenvolvimento da pandemia da Covid-19. No entanto, a variante Delta mudou esse cenário. Os cientistas ainda estudam o que faz com que a cepa seja tão mais contagiosa e domine cerca de 99% dos novos casos de coronavírus no mundo.

“Mas há evidências muito boas e crescentes de que a delta é simplesmente mais adaptada, o que significa que é capaz de crescer a níveis mais altos mais rápido do que outras variantes estudadas. Portanto, quando as pessoas têm delta, elas se tornam infecciosas mais cedo”, disse o Dr. Stuart Campbell Ray, especialista em doenças infecciosas da Universidade John Hopkins.

“Temos muitas linhagens de Delta que estão circulando em muitos lugares sem vencedores claros”, completa Ray, dizendo ainda que é complicado saber a partir de características genéticas que podem ter uma vantagem, ou quais novas variantes podem destronar a Delta.

Via MedicalXpress

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