A Samsung planeja construir uma fábrica de chips estimada em US$ 17 bi (R$ 95 bilhões) em Taylor, Texas, nos Estados Unidos. De acordo com fontes da indústria, o investimento estaria envolvido com a pressão do governo americano pela fabricação de semicondutores no país.

Devido a pandemia de Covid-19, que resultou na paralisação das linhas de produção, e na escassez de alguns minérios no mercado, parte da produção de eletrônicos segue afetada até o ano que vem. As fabricantes sofrem com a falta de componentes para a criação dos mais variados chips, desde os mais complexos, como microprocessadores de smartphones e computadores, até coisas simples como sensores para painéis automotivos.

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Assim, embora a fábrica esteja prevista apenas para 2024, ter uma nova instalação da Samsung no país deve contribuir para a recuperação a longo prazo deste segmento, produzindo além dos seus processadores Exynos, outros componentes para terceiros.

A confirmação da fábrica deve ser feita pelo próprio governador do Texas, nesta terça-feira (23). A estimativa é que a planta gere 1.800 empregos. Como benefício, a Samsung estaria recebendo o equivalente a incentivos fiscais de propriedade de até 92,5% nos primeiros 10 anos. Estes incentivos devem diminuir gradativamente ao longo das décadas.

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Samsung não confirmou o investimento

Apesar dos rumores, a Samsung declarou que a decisão de construir uma nova fábrica ainda não foi tomada. De acordo com o porta-voz da empresa, a fábrica de Taylor representaria uma duplicação de plantas no Texas, uma vez que a empresa já possui uma unidade para o desenvolvimento de componentes no estado. Além disso, a decisão aconteceria em meio a um ano de gastos históricos tomados pela empresa para suprir a crise de semicondutores.

Apesar disso, a expectativa é que a Samsung invista aproximadamente US$ 205 bilhões (R$ 1.150 trilhões) nos próximos três anos para suprir a demanda de semicondutores dos seus produtos.  O valor é mais que o dobro do planejado por outras empresas do segmento, como a Intel e a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company.

Além de Taylor, a Samsung também teria cogitado outros locais para a nova fábrica, incluindo os estados do Arizona, Nova York e Flórida. A empresa também considerou Austin, no Texas, onde está localizada a sua única fábrica de chips dos Estados Unidos.

Governo Biden quer reforçar a produção de semicondutores no país

Aumentar a produção de semicondutores nos Estados Unidos é uma das prioridades do governo do atual presidente Joe Biden quando o assunto é indústria. Nos últimos anos, devido ao avanço de empresas na China, India e Taiwan, os Estados Unidos passaram a ter apenas 12% da capacidade de produção global de chips.

De acordo com o Wall Street Journal, a expectativa é que com o fechamento de parcerias com empresas internacionais, o país retornará aos índices que tinha na década de 1990, quando detinha 37% da produção de semicondutores globais. Para atingir tais metas, em junho de 2021, o Senado americano aprovou cerca de US$ 52 bilhões (R$ 292 bi) em subsídios diretos da indústria para a fabricação de novas fábricas de semicondutores. A quantia, no entanto, ainda não foi aprovada pelo Congresso.

Alta demanda faz Samsung recorrer a concorrência

A escassez dos semicondutores e a alta demanda de aparelhos fez com que a Samsung mudasse de planos para 2022. De acordo com informações apresentadas pela Qualcomm – fabricante dos chips Snapdragon – em um evento para investidores, na última semana, a Samsung estaria fechando um acordo com a concorrente para que 50% de todos os aparelhos Galaxy serão lançados com chips da Qualcomm em 2022. O restante da produção seria dividido entre chips Exynos, da própria Samsung, e Dimensity, da MediaTek.

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