Um índice global apontou que o Brasil figura na metade da lista dos dez países no mundo que mais possuem redes de câmeras de vigilância Hikvision e Dahua — conhecidas por sua alta capacidade de reconhecimento facial.

As duas fabricantes, que ocupam as posições mais altas no mercado de aparatos de monitoramento, são conhecidas por ocupar a controversa posição de favorecer abusos aos direitos humanos na China. Ambas as tecnologias permitem o perfilamento das vítimas com base em sua racialidade, e já foram usadas para este fim em perseguição aos povos uigures, no norte do país, e podem ser adaptadas para outros padrões de detecção.

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O índice foi apontado pela Top10VPN, subsidiária do grupo de vigilância de direitos digitais, “Privacy.co”, e aponta a existência de 6.3 milhões destas redes de equipamentos no mundo todo. Das 266,455 redes presentes no Brasil, 186,129 são da Hikvision e 80,338, da Dahua.

O grupo alerta que as redes foram identificadas com endereços IPs únicos, o que pode significar representar um número ainda mais assustador se contassem câmeras individuais.

“Como redes de câmeras tendem a conter múltiplos aparelhos, o número total de equipamentos de vigilância individuais da Hikvision e Dahua estimados neste relatório provavelmente é muito mais alto do que seis milhões”, afirma o grupo.

Uma a cada dez redes de câmeras estão nos EUA

Acima do Brasil no ranking de câmeras de reconhecimento facial fora do território chinês está o Reino Unido em quarto lugar, (277,986 redes) e o México em terceiro (343,203 redes). A segunda posição é dos Estados Unidos (710,494 redes), e o topo da liderança, o Vietnã (822,324).  

Para os Estados Unidos, ocupar o segundo lugar no ranking — e quase o dobro de diferença do seu vizinho, o México — é uma posição contraditória: o país havia colocado restrições de vendas às empresas por implicações em violações de direitos humanos. No entanto, uma a cada dez redes de câmeras estão em território norte-americano.

Das 200 cidades com maior número de câmeras de vigilância no mundo, Ho Chi Minh e Hanoi, no Vietnã, ocupam a liderança, com 164,517 e 107,032, respectivamente. Londres (61,504) e Nova Iorque (56,478) seguem logo atrás. O quinto lugar (55,421) está com Montevidéu, no Uruguai — que não chega a figurar na lista dos países com mais equipamentos.

No Brasil, a capital de São Paulo ocupa o 15º lugar no ranking de cidades com equipamentos de reconhecimento facial, com 33,389 redes de câmeras detectadas. Uberlândia e Belo Horizonte, em Minas Gerais, estão em 31º (29,192) e 63º lugares (14,794). As capitais de Rio de Janeiro (8,225) e Porto Alegre (7,335) também constam na lista. O ranking completo pode ser acessado nesta tabela.

Imagem: Karolis Kavolelis/Shutterstock

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