Dom Pedro II observando o planeta Vênus na luneta de 24 cm do Observatório de Juvisy, na França
Dom Pedro II observando o planeta Vênus na luneta de 24 cm do Observatório de Juvisy, na França. Fonte: Sociedade Astronômica da França

Nesta quinta-feira, 02 de dezembro, o Brasil celebra o Dia Nacional da Astronomia. A data foi oficializada recentemente, a partir de uma lei federal promulgada em 2017. Entretanto, o 2 de dezembro já era celebrado informalmente há muitos anos, principalmente entre os astrônomos amadores. A data faz referência ao aniversário de Dom Pedro II, considerado o patrono da Astronomia no Brasil.

Pouca gente sabe, mas além de seus afazeres corriqueiros como monarca soberano do Império Brasileiro, Pedro II também era astrônomo amador nas horas vagas. Só que sua devoção à Ciência foi muito além de um simples hobby.

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D. Pedro II retratado em 1875 por Delfim Câmara. Ao Fundo, é possível ver a cúpula do antigo Imperial Observatório, que ficava no extinto Morro do Castelo, no centro do Rio de Janeiro
D. Pedro II retratado em 1875 por Delfim Câmara. Ao Fundo, é possível ver a cúpula do antigo Imperial Observatório, que ficava no extinto Morro do Castelo, no centro do Rio de Janeiro. Fonte: Museu Histórico Nacional

Pedro II mantinha seu próprio observatório no terraço do Paço de São Cristóvão, residência oficial do imperador. Lá onde realizava suas observações e constantemente recebia estudantes para observação do céu, momento em que ele aproveitava para divulgar a ciência, discorrendo sobre as noções básicas da astronomia e orientando no uso dos instrumentos.

Ele frequentava os principais eventos científicos e se correspondia com alguns dos maiores astrônomos da época, entre eles, os franceses Urbain Le Verrier, descobridor de Netuno, e Camille Flammarion, de quem era amigo pessoal.

Como imperador, investiu muito no desenvolvimento da Astronomia no Brasil. Equipou e estruturou o Imperial Observatório fundado por seu pai, Pedro I, em 1827, mas que só começou a funcionar em 1846, graças aos esforços de Pedro II. Chegou a ceder seus próprios instrumentos para que o observatório iniciasse suas atividades.

Imperial Observatório em 1871 no extinto Morro do Castelo
Imperial Observatório em 1871 no extinto Morro do Castelo. Fonte: Acervo Observatório Nacional

Sua dedicação à Astronomia era tanta que, mesmo sob protestos do parlamento e críticas da imprensa, liberou, por decreto, verbas para importantes missões científicas das quais o Brasil participou. Entre elas, a observação do eclipse do Sol de 1857 e o trânsito de Vênus de 1882, que ajudou no cálculo da distância e do tamanho do Sol.

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Essas são apenas algumas das diversas contribuições do Imperador Dom Pedro II para a Astronomia no Brasil. Graças a essa dedicação e suas contribuições para a Ciência, durante o 2º Encontro de Astronomia do Nordeste (EANE), realizado em Recife em 1978, astrônomos amadores e profissionais de todo o país, elegeram-no, por unanimidade, o “Patrono da Astronomia no Brasil”. Seis anos depois, em 1984, a União Brasileira de Astronomia, escolheu a data de seu nascimento, 2 de dezembro, como Dia da Astronomia no Brasil. E em 2017, foi promulgada a Lei 13.556, que institui oficialmente o Dia Nacional da Astronomia, a ser celebrado no dia 2 de dezembro, aniversário do Imperador Pedro II, o Patrono da Astronomia no Brasil.

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