Veículos e Tecnologia

Coreia do Sul estuda usar realidade virtual para verificar se idosos podem dirigir

06/12/21 12h50
Pessoa idosa dirigindo para ilustrar que a Coreia do Sul usará realidade virtual para permitir que idosos possam dirigir

A Coreia do Sul está planejando usar simuladores de realidade virtual (RV) para determinar se os idosos estão aptos para dirigir ou não. Segundo a polícia coreana, esse processo de verificação poderá ser mais objetivo, em um cenário onde é crescente o número de acidentes produzidos por motoristas nesta faixa etária.

O novo método está sendo planejado para entrar em vigor em 2025. Impulsionada pela Agência Nacional de Polícia da Coreia (KNPA), a medida foca nas pessoas com mais de 65 anos, que terão suas habilidades de direção, cognitivas e de memória avaliadas através de um headset de RV.

Conduzido em um simulador, o teste medirá vários comportamentos do motorista em diferentes condições de direção, para examinar a acuidade visual dos participantes. A acuidade visual é a aptidão do olho para distinguir detalhes espaciais. Em outras palavras, é a capacidade de identificar a forma e o contorno dos objetos.

Um artigo acadêmico publicado em 2020, intitulado “Avaliação de desempenho de condução correlacionada à idade e acuidades visuais com base em tecnologias de VR”, detalha como um sistema de realidade virtual pode ser usado para testes de desempenho de direção. O trabalho foi publicado por Sooncheon Hwang, Sunhoon Kim e Dongmin Lee, do departamento de engenharia de transporte da Universidade de Seul, capital da Coreia do Sul.

Nele, as simulações virtuais incluem dois cenários: direção diurna e direção noturna em rodovia. Em ambos os casos, três incidentes inesperados foram criados para testar o desempenho dos motoristas.

Imagem: Hindawi/Sooncheon Hwang Et Al.

Realidade virtual para avaliar melhor

A principal vantagem de testar os motoristas em uma simulação em realidade virtual foi a capacidade de controlar totalmente todas as variáveis ​​e produzir dados exatos de desempenho. Em sua conclusão, os autores do artigo afirmam que “muitos participantes com níveis mais baixos de acuidade visual dirigiram com maiores variações de velocidade, não frearam adequadamente quando confrontados com incidentes repentinos e não conseguiram evitar colisões”.

Embora varie de pessoa para pessoa, os pesquisadores citaram o fato de que a visão se deteriora com a idade. O artigo se baseou em estudos que mostraram inclusive que motoristas com idade superior a 66 anos tiveram um maior risco de colisões devido à acuidade visual insuficiente.

A polícia coreana também aponta estatísticas próprias relacionadas ao número de acidentes conforme faixa etária. De 10 mil titulares de carteira, quase o dobro de acidentes no trânsito do país ocorrem com motoristas com mais de 65 anos de idade, em comparação com motoristas na faixa dos trinta anos. Além disso, o número de titulares de carteiras de habilitação sênior está crescendo mais rápido do que o envelhecimento da população, com o número de titulares de licenças crescendo 300%, de 1 milhão para 3 milhões entre 2008 e 2018.

O orçamento para pesquisa e desenvolvimento de um plano de avaliação de aptidão para dirigir baseado em realidade virtual é de 3,6 bilhões de Wons sul-coreanos (cerca de R$ 17 milhões). Hoje, a Coreia do Sul não possui regulamentos rígidos em relação à carteira de motorista de idosos (menos para casos de demência ou outras doenças afins). Atualmente, a legislação local determina um período de renovação de três anos de licença para maiores de 75 anos e a devolução voluntária da carteira de motorista para maiores de 65 anos.

Imagem: Photobac/Shutterstock

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