Em junho de 2020, no pico de uma onda de calor, o Ártico registrou a temperatura mais alta de sua história, chegando à marca de 32º C (Celsius) – ou 100º F (Farenheit). É o que diz um novo relatório divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

”Este novo recorde no Ártico vem de uma série de observações feitas pelo Arquivo do Clima e Extremos Meteorológicos da WMO, que aciona vários alertas sobre as mudanças do nosso clima’, disse Petteri Taalas, secretário geral da WMO, em um comunicado divulgado à imprensa.

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Imagem mostra dois ursos polares em uma paisagem de gelo, simbolizando o Ártico e seu aumento de temperatura
Aumento de temperatura no Ártico é tão intenso que, até o fim deste século, pode levar à extinção dos ursos polares (Imagem: garethl11/Shutterstock)

O relatório leva em conta diversos eventos climáticos – direcionados pelo homem ou não – que influenciaram em uma mudança de paradigma que fez com que, nas palavras do próprio comunicado, fizeram do clima do Ártico “algo parecido com o Mediterrâneo”.

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Segundo o texto, os incêndios florestais na região da Sibéria destruíram 18,6 milhões de hectares de mata só em 2021, com a fumaça das chamas viajando até bem dentro do Pólo Norte. Em Verkhoyansk, uma região ao norte do Círculo Ártico que conta com uma estação de leitura meteorológica, foi necessária a criação de uma nova categoria de clima extremo apenas para contabilizar o aumento da temperatura do Ártico.

Já falamos aqui sobre o aumento sem precedentes da região ártica da Terra, que vem causando enormes consequências, como o derretimento do pergelissolo (a camada que vulgarmente conhecida como “gelo eterno” devido à sua manutenção mesmo frente ao calor do Sol – isto é, em condições normais) e a ocorrência de “fogos zumbi”, nome atribuído ao fogo originado de turfa e metano e que ocorre após um incêndio florestal comum ter sido aparentemente controlado.

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Os “fogos zumbi” incendeiam a turfa – um material semi decomposto normalmente em regiões pantanosas ou montanhosas, de origem vegetal e muito rico em carbono -, levando névoa densa à atmosfera e contribuindo para o efeito estufa.

Segundo alguns cientistas, o aumento da temperatura no Ártico é três vezes mais rápido que a média no resto do planeta. Estimativas dizem que as consequências disso são catastróficas: o urso polar, por exemplo, pode deixar de existir até o final do século XXI, dando lugar a uma espécie híbrida conhecida como “urso golar”, resultado do cruzamento da espécie polar com o urso pardo (que em inglês, chama-se “grizzly bear”).

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”É bem possível – na verdade, é até provável, que maiores extremos devem ocorrer na região do Ártico no futuro”, diz o comunicado da WMO.

Se no norte do mundo, as coisas não vão nada bem, ao menos do sul…elas também vão mal: em 2020, a Antártida registrou aumento de temperatura média de 18,3º C. Em outros lugares, o Vale da Morte, na Califórnia, no verão americano de 2021, registrou absurdos 54,4 ºC – quase empatando com o recorde registrado de qualquer temperatura na história – 55º C em 7 de julho de 1931, na Tunísia.

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