Por Luciano Mathias*

No dia 2 de novembro, a Nike iniciou sete registros de marca em formato digital: seu famoso logo, a palavra “Nike”, o slogan “Just do it”, entre outros. Com isso, deixou bem clara sua intenção de vender tênis, roupas e acessórios virtuais no metaverso. No mesmo dia, a Adidas comprou um Bored Ape Yacht Club. Isso mesmo, aqueles cartoons de macacos que bombaram nos marketplaces de NFT este ano. Quase instantaneamente, o “desenho” já virou o avatar do Twitter da marca. E a expectativa: possivelmente uma coleção com o tema deve estar a caminho.

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Poucos dias depois, a Nike atacou de novo. Anunciou a “Nikeland”, um mundo voltado para os fãs criarem, se conectarem, competirem e trocarem experiências no Roblox. A concorrente também não ficou para trás. A Adidas, com um posicionamento “enigmático” em uma publicação no Twitter, revelou que possui uma “land” (terreno), dentro do The Sandbox. Lá, será criado o adiVerse, o metaverso da Adidas. Com isso, o token SAND teve uma valorização de mais de 30%, de forma quase instantânea.

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Além disso, no último dia 13, a Nike anunciou a compra da RTFKT, uma startup especializada em NFT’s colecionáveis de moda, em mais um passo que indica a aposta da fabricante de materiais esportivos no metaverso. Um dos principais produtos da RTFKT é um tênis colecionável híbrido NFT e físico, inspirado na famosa coleção de NFT’s CryptoPunks.

Para muitos ainda soa como uma realidade distante e ficcional, mas a verdade é que negócios já estão sendo criados e movimentados há algum tempo nesse “mundo paralelo”. Diante dessa revolução, que acho difícil nomear de outra forma, vale a fórmula “The Winner Takes It All” (O vencedor leva tudo), e quem cria tendências, ao invés de segui-las, com certeza sai na frente.

Com marcas gigantes adotando tão rápido esse “mundo novo”, acho difícil que isso não cresça de forma exponencial. Sim, há um mercado de NFT’s enorme onde as pessoas estão pagando milhares, milhões de dólares por jpegs ou por terrenos que não se pode pisar fisicamente, mas que fazem parte de uma nova realidade, que ainda não compreendemos muito bem, mas que talvez ofereçam oportunidades muito maiores que as do mundo real, já que no metaverso não há “barreiras”.

Esse mercado explodiu em 2021, movimentando bilhões de dólares em criptomoedas, mas segundo um relatório da consultoria Deloitte, isso é apenas o início. Segundo ela, só os NFT’s relacionados a esportes vão movimentar mais de 2 bilhões de dólares em 2022, o que representa praticamente o dobro do valor movimentado em 2021. Além do consumo dentro do metaverso, fonte de receita para clubes e instituições esportivas também são uma forma de engajar os fãs.

“A temporada de 2021-2022 pode ser a primeira em que os NFTs começam a registrar uma marca importante do ponto de vista da receita. Se a experiência dos primeiros usuários se mostrar positiva, o mercado deve continuar a crescer e ser uma parte importante da digitalização, globalização e comercialização da experiência dos fãs”, diz o texto publicado pelos especialistas da Deloitte.
Agora é ficarmos atentos às novidades, tendências e aos próximos movimentos. Antes do que você imagina, você pode estar jogando futebol com um uniforme 100% virtual no metaverso.

Um abraço e até a próxima.

*Luciano Mathias é sócio e CCO da TRIO – Hub Global de Criação e Produção de Conteúdo Audiovisual

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