Lançado na quinta-feira passada (9), o mais novo observatório de raios-X da Nasa – o Imaging X-ray Polarimetry Explorer, ou IXPE – expandiu-se com sucesso em órbita na última quarta-feira (15), permitindo-o pôr em prática sua capacidade de ver raios-X de alta energia. O satélite está um passo mais perto de estudar alguns dos lugares mais enérgicos e misteriosos do universo de uma nova maneira.

Segundo a Nasa, o observatório IXPE possui três telescópios idênticos, cada um com um conjunto de espelho e um detector sensível à polarização. Para focalizar os raios-X, os espelhos do IXPE precisam estar cerca de 4 metros de distância dos detectores. 

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Como ele é muito grande para caber dentro de algumas carenagens de foguete, ele teve que se dobrar, como um origami, e se esticar novamente em órbita.

Um gif do IXPE implantado no espaço
Um gif do IXPE implantado no espaço antes de iniciar suas operações científicas para estudar o cosmos. Crédito: NASA

“Para nós que estamos no jogo espacial, as partes móveis são sempre assustadoras”, disse Martin Weisskopf, principal cientista do IXPE no Marshall Space Flight Center da NASA. “No momento, estou sorrindo de orelha a orelha”.

Com o satélite já aberto e implantado, os especialistas da missão estão prontos para se concentrar no comissionamento dos telescópios, preparando-os para a primeira ciência da espaçonave. 

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Satélite IXPE investigará objetos cósmicos enigmáticos

A função do IXPE é estudar a polarização da luz (ou seja, como raio cósmico oscila em relação à direção da onda) de alguns dos objetos mais extremos e misteriosos do universo. 

Com esse satélite, os astrônomos serão capazes de refinar a estrutura e estudar os mecanismos que alimentam esses tipos de objetos cósmicos enigmáticos. “O que a polarização nos diz depende da fonte”, disse Martin Weisskopf, investigador principal do IXPE durante uma coletiva de imprensa pré-lançamento que aconteceu na terça-feira passada (7).

Segundo Weisskopf, o IXPE se juntará a outros satélites de observação de raios-X da Nasa, como o telescópio espacial Chandra, que orbita muito mais alto do que ele. Enquanto a missão do IXPE se concentra exclusivamente na polarimetria da luz, Chandra é responsável por fazer fotos de fontes de raios-X.

Como primeiro primeiro alvo de estudo, o novo satélite de raios-X da Nasa terá a Nebulosa do Caranguejo, um remanescente de supernova e uma nebulosa de vento de pulsar na constelação do Touro. Como o IXPE é projetado para olhar para alvos muito críticos, os restos de uma explosão estelar são perfeitos para o início da missão. 

Weisskopf explicou que dentro da Nebulosa do Caranguejo há um facho de luz pulsante semelhante a um farol, que é na verdade o cadáver da estrela que criou a nebulosa. A polarimetria da luz que emana desse pulsar já foi medida antes, mas não no nível de detalhe que o IXPE será capaz de alcançar.

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