As cenas são monstruosas: quando uma estrela passa muito perto de um buraco negro —região do espaço da qual nada escapa—, ela é rasgada ao meio por uma tremenda força gravitacional. Esse fenômeno é chamado pelos astrônomos de “evento de ruptura de marés”.

Imagem: NASA/Divulgação

Após ser rasgada, a estrela é praticamente pulverizada no espaço, e seus detritos flamejantes brilham intensamente antes de sumirem no interior do buraco negro. Apesar de toda intensidade e magnitude desses fenômenos de fome e fúria, sua observação é raríssima. Considerava-se que eles ocorressem a cada 10 mil anos em grandes galáxias, mas depois se descobriu que o banquete de buracos negros devorando estrelas, na verdade, é sutilmente encoberto por poeira cósmica.

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A descoberta foi feita por Seppo Mattila, do departamento de astronomia da Universidade de Turku, na Finlândia, em 2018. Ele acompanhou por dez anos um fenômeno desses. Tudo começou em 2005, quando os cientistas buscavam supernovas para estudar e descobriram um sinal na Arp 299, um par de galáxias em colisão na constelação de Ursa Maior.

Primeiro, suspeitaram que poderia ser uma supernova extremamente energética, ou seja, a explosão de uma estrela cuja massa é aproximadamente dez vezes a do Sol. Mas intrigava o fato de conseguirem detectar uma intensa atividade a partir de sinais em infravermelho, sem conseguirem observar nada. A única explicação era a de que havia poeira interestelar na região, que bloqueava a passagem da luz visível.

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Ao longo dos anos, os cientistas registraram mudanças nessas ondas de rádio e em infravermelho e viram as emissões se transformaram em jatos, que se expandiram e assumiram uma forma diferente daquela observada em supernovas. A radiação infravermelha e a temperatura da poeira cósmica aumentaram substancialmente. Foi então que concluíram que era um evento de ruptura de marés.

Planeta sendo “sugado” por buraco negro. imagens:Nasa

Raro ou difícil de se observar?

A raridade atribuída ao fenômeno de um buraco negro devorar estrelas pode ser uma dificuldade de observação. Além de encobrir o momento em que a estrela é devorada, a poeira cósmica faz com que a energia liberada seja irradiada aos poucos. Para detectar um buraco negro em ação é preciso usar ondas de rádio e raios infravermelhos e talvez nossos telescópios sejam limitados para isso.

Com informações do Uol.

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