Sidnei Piva de Jesus, dono do Grupo Itapemirim, está sendo acusado de aplicar um golpe com a criptomoeda CrypTour, criada recentemente e atribuída à empresa de transportes. Segundo o site Congresso em Foco, centenas de vítimas alegam que o empresário, ao lado das empresas Extrading Exchange & Trading Platform e Future Design Solutions Ltda (FDS), não devolveu cerca de R$ 400 mil investidos na moeda digital.

De acordo com as informações, a Itapemirim teria criado a CrypTour para vender 30 milhões de tokens ao custo de US$ 1 cada. A empresa, prometia uma valorização de 600% a cada dólar investido nos primeiros 6 meses, e de 3.600% depois de 12 meses. Entretanto, as vítimas afirmam não terem mais acesso à plataforma da Extrading para pedir o resgate ou simplesmente ter acesso a informações sobre o destino do dinheiro. A plataforma, inclusive, foi retirada do ar. Já o suporte do site, segundo uma das vítimas, foi desativado tanto no chat como no WhatsApp.

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Sidnei Piva nega que sua empresa seja dona da CrypTour e que “entrou em um golpe como vários”. Entretanto, em documento promocional da moeda digital (que pode ser acessado aqui), consta que, “o projeto CrypTour nasceu como uma iniciativa interna de inovação em tecnologia na Itapemirim Airlines”. O dono da Itapemirim também aparece em uma infinidade de vídeos e imagens promovendo a criptomoeda, inclusive no site oficial da CrypTour.

captura de tela do site em que aparece o dono da Itapemirim promovendo a criptomoeda
Imagem: Captura de tela do site oficial da CrypTour – Reprodução

O empresário Luiz Tavares, diretor comercial da Extrading, aparece com Sidnei Piva em uma lista de vídeos no canal da CrypTour no YouTube e desmente o dono da Itapemirim, afirmando que a empresa é sim dona do negócio. “É 85% do Piva e 15% da Future Design Solutions Ltda”, aponta Tavares, que diz ser empresário na área de tecnologia com uma empresa em Dubai (que, no momento, não possui CNPJ).

Tavares e Piva
Imagem: Luiz Tavares, da Extrading, em um vídeo com Sidnei Piva, da Itapemirim/Reprodução/YouTube/CrypTour Oficial

Uma espécie de “pirâmide”

O plano de negócio das criptomoedas previa também um programa de afiliados. Nele, as pessoas deveriam indicar novos investidores com a possibilidade de ganhos de até 21% sobre as operações das pessoas indicadas, um esquema geralmente visto como uma espécie de “pirâmide”. As vítimas se mostravam encantadas com a promessa de alto rendimento de um produto criado pelo Grupo Itapemirim.

Os investidores que compraram as criptomoedas da Itapemirim, ao que tudo indica, nunca estranharam que os pagamentos pelos tokens eram sempre feitos via depósito para a conta da FDS, e jamais tiveram um contrato assinado sequer pela transação. Em setembro deste ano, a FDS, de propriedade de José Carlos de Mello Mas, foi alvo de uma operação conjunta entre a GAECO Sorocaba e o Ministério Público de São Paulo por crimes de estelionato, organização criminosa e indícios do crime de lavagem de dinheiro.

Justamente a partir de setembro que os investidores começaram a enfrentar as primeiras dificuldades para resgatar os valores investidos na criptomoeda. O nome da Itapemirim vinculado ao negócio foi um dos principais motivos alegados para que as vítimas investissem na CrypTour.

Os investidores que se sentiram lesados criaram um grupo de WhatsApp para trocarem informações e, principalmente, tentarem encontrar uma solução para reaver o prejuízo. A impressão das pessoas prejudicadas é de que, diante das recentes notícias negativas sobre a Itapemirim, inclusive sobre a quebra da empresa, elas não terão o dinheiro de volta. Na última 6ª feira (17/12), a ITA Linhas Aéreas, pertencente ao Grupo Itapemirim, anunciou a suspensão imediata de todas as suas operações por tempo indeterminado.

Itapemirim se coloca como vítima

A assessoria de comunicação do Grupo Itapemirim nega ter participado de esquemas envolvendo criptoativos. Em nota, a empresa afirma já ter elaborado um projeto nesse sentido, que foi cancelado antes do lançamento. O grupo ainda alega ter sido vítima de estelionato por terceiros se passando pela companhia para aplicar o referido golpe:

“O Grupo Itapemirim esclarece que nunca realizou nenhuma operação ou negócio envolvendo vendas de criptomoeda. Houve um projeto, mas que não foi concretizado pelo Grupo.

Devido a falsas acusações de relação com essa criptomoeda, o Grupo Itapemirim tomou as devidas providências legais, com a confecção de um Boletim de Ocorrência para apuração criminal em detrimento de empresa que está utilizando a imagem do Grupo, vinculando a venda de criptomoeda.

A conta bancária utilizada para a venda da criptomoeda não tem nenhuma relação com o Grupo ou pessoas ligadas ao Grupo Itapemirim. O Grupo pondera que providenciará as medidas legais para desvincular sua imagem a qualquer tipo de operações ligadas à referida criptomoeda.

Por fim, vale ressaltar que a investigação criminal noticiada na reportagem não apontou nenhuma ligação com pessoas ligadas ao Grupo Itapemirim, comprovando a completa ausência de ligação na venda de criptomoeda”.

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