Companhias aéreas e oficiais da aviação nos Estados Unidos estão alertando que a retomada do lançamento do 5G da AT&T e da Verizon em janeiro pode levar a atrasos generalizados de voos no país. A preocupação é ainda maior em situações de tempestades de neve e outras condições de baixa visibilidade.

A banda C 5G – que compreende o espectro de 3,8 a 4,3 GHz – é vista como uma ameaça capaz de interferir em altímetros e outros equipamentos de aviões e helicópteros. Ao mesmo tempo, a indústria de telecomunicações dos EUA afirma que essa alegação não tem fundamento.

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São os altímetros que rastreiam a altitude das aeronaves ao rebater as ondas de rádio do solo. Se houver interferência nesse processo, os aviões e outros veículos aéreos ficam impedidos de pousar em situações de pouca visibilidade, o que causaria atrasos, desvios e até mesmo cancelamentos de voos.

Companhias aéreas temem pelos seus negócios

Logo, a indústria da aviação está muito preocupada sobre como a interferência da banda C 5G poderia ameaçar seus negócios. A perspectiva de interrupções nos voos surge em um momento em que as companhias aéreas lutam para se recuperar da pandemia do coronavírus, que gerou bilhões de dólares em perdas no ano passado. As transportadoras também têm lidado com a falta de pessoal e milhares de episódios indisciplinados de passageiros este ano.

Durante uma recente audiência no Senado, Gary Kelly, CEO da Southwest Airlines (uma das maiores linhas aéreas dos Estados Unidos), disse que a implantação do 5G é a preocupação número um da empresa no curto prazo. Já a Airlines for America, associação comercial e grupo de lobby que representa as principais companhias aéreas da América do Norte, afirma que interrupções nos voos com o lançamento da AT&T e do novo serviço sem fio 5G da Verizon podem custar às companhias aéreas até US$ 2,1 bilhões.

Com base em algumas suposições do pior caso, a Airlines for America disse ao Senado dos Estados Unidos que o novo serviço 5G da AT&T e da Verizon, duas das maiores empresas de telecomunicações norte-americanas, tem o potencial de interromper até 350 mil voos por ano. Enquanto isso, a indústria das telecomunicações continua a contestar essa afirmação, argumentando que os sinais 5G estão longe o suficiente das frequências usadas pelos altímetros e são configuradas para operar em níveis seguros.

A Comissão Federal de Comunicações (FCC) americana – que deu a aprovação para as operadoras de celular usarem essas novas ondas – ainda não impôs quaisquer restrições adicionais. A agência governamental está trabalhando com a Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA para resolver essa disputa em andamento entre as indústrias de aviação e redes 5G.

A AT&T e a Verizon planejam retomar o lançamento da banda C 5G em 5 de janeiro, o que torna extremamente curto o tempo para que sejam encontradas soluções para essa questão.

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