O que você vai ser quando crescer? Em breve, seremos todos MEIs

Imagine seu filho, neto ou sobrinho perguntando a você que profissão ele deveria escolher. Pergunta difícil, não é mesmo? Mas não se preocupe: é pouco provável que seja feita. Os jovens sabem muito mais sobre o futuro do que os mais experientes. Além disso, consideram que veteranos, que tinham que decidir entre engenharia, medicina ou direito para construir uma vida profissional e ascender nela, não têm muito a contribuir quando se trata de escolher profissões em um mundo dinâmico e repleto de possibilidades.

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É preciso dizer ainda que os jovens escolhem suas profissões considerando mais suas paixões genuínas do que as perspectivas de sucesso. Há cerca de dois anos estudando o assunto, concluímos também que as ocupações MEI, microempreendedores individuais, que já superam 400 alternativas, tendem a crescer e se consolidar como uma escolha cada vez mais atraente. Especialmente para jovens que buscam ser “donos do próprio nariz” e há décadas ouvem falar mal do mundo corporativo e do foco em lucros, e não em um propósito claro, que muitas das grandes corporações adotaram.

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Poderíamos quase dizer que, a longo prazo, seremos todos freelas. Em 2020, mesmo com a retração da economia, o número de novos registros MEI no Brasil foi recorde, crescendo cerca de 8%. O que evidencia o espírito empreendedor do brasileiro e a busca por fontes alternativas de receitas.

Ainda em nosso estudo sobre ocupações MEI no Brasil e no mundo, ficou evidente a importância de apoiar esses indivíduos em seu caminho rumo à prosperidade por meio de políticas públicas e incentivos concebidos especialmente para eles. Segundo a Receita Federal, existem 12,4 milhões de brasileiros registrados como MEI. Considerando a população economicamente ativa (170 milhões de pessoas), algo como 7,5% ganham a vida como microempresários nessas muitas e diversas atividades. Se tiver curiosidade, acesse a lista de ocupações MEI no site http://www.gov.br/empresas-e-negocios/pt-br/empreendedor/quero-ser-mei/atividades-permitidas. Há desde açougueiros a designers, passando por DJs e até mesmo locutores de vídeos.

O que o futuro reserva para as ocupações MEI? Bem, de forma muito resumida, podemos mencionar quatro importantes tendências:

Economia verde

Finalmente parece que o mundo dá passos mais concretos rumo a uma economia mais sustentável. A meta estabelecida no Acordo de Paris, de conter o aquecimento global abaixo de 1,5 ºC, exige que atinjamos carbono zero, ou seja, geremos menos carbono do que é retirado da natureza, até a segunda metade deste século. Ocupações ligadas à economia circular ou à energia limpa e acessível ganham destaque.

Mobilidade e mudanças demográficas

O trabalho remoto e os times distribuídos já são realidade e mostraram-se viáveis durante o confinamento causado pela pandemia. É provável que isso altere o cenário atual, no qual 55% da população vive em áreas urbanas, segundo a ONU. Essa mudança sociocultural impactará não só as ocupações, mas, certamente, a dispersão da demanda, criando oportunidades fora dos grandes centros, especialmente nos serviços realizados com as pessoas e para as pessoas.

Saúde e pandemia

A demanda por profissionais e ocupações ligados à saúde e ao bem-estar, como cuidadores de idosos independentes, acelerou-se. Pela pandemia, óbvio, mas, também pelo envelhecimento da população e pela importância que enfim demos à saúde física, mental e à qualidade de vida.

Economia digital ou indústria 4.0

Deixamos para o final, de propósito, a mais forte das tendências: as ocupações proporcionadas pelas novas tecnologias. Aplicação de inteligência artificial, big data, internet das coisas e robótica requererão um contingente enorme de prestadores de serviços MEI especializados.

Ocupações inéditas como, por exemplo, corretor de imóveis virtuais – isso mesmo, no metaverso – deverão atrair cada vez mais atenção. O mundo mudou, o trabalho e a forma de fazer negócios mudou e, é claro, as ocupações e microempresas que prosperarão também mudaram. Tempo de resetar carreiras e surfar as mudanças.

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