Uma equipe de pesquisadores detectou uma coleção de pelo menos 70 exoplanetas sem estrelas hospedeiras em uma área do espaço a cerca de 420 anos-luz da Terra, o que representa a maior quantidade de planetas nômades – ou “planetas desgarrados” — já encontrados em uma só vez.

“Não sabíamos quantos esperar e estamos animados por ter encontrado tantos”, disse Núria Miret-Roig, astrônoma do Laboratório de Astrofísica de Bordeaux, na França, e da Universidade de Viena, na Áustria, e autora principal do estudo, que foi publicado na revista Nature Astronomy nesta quarta-feira (22).

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Normalmente, a maioria dos exoplanetas é encontrada por meio de observações de suas estrelas hospedeiras, também chamadas estrelas-mães: observando leves movimentos estelares induzidos pelo puxão gravitacional de um planeta em órbita, por exemplo, ou pela detecção de pequenas quedas de brilho causadas quando um mundo “transita” em frente à sua estrela.

No entanto, essas estratégias não funcionam com os planetas desgarrados. De acordo com o site Space, como esses mundos são consideravelmente mais difíceis de encontrar, os astrônomos costumam contar com uma técnica chamada microlente gravitacional, que implica em observar objetos em primeiro plano se moverem na frente de estrelas de fundo. 

Durante essas passagens, o corpo em primeiro plano pode atuar como uma lente gravitacional, dobrando a luz da estrela distante de forma a ampliá-la, o que nos ajuda a compreender suas características.

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No caso do estudo de Miret-Roig e sua equipe, porém, não foi essa a técnica usada. Eles analisaram 20 anos de imagens e outros dados coletados por uma variedade de telescópios no solo e no espaço, incluindo o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul, no Chile, o telescópio japonês Subaru, que fica no Havaí, o satélite Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) e a Dark Energy Camera, um instrumento montado no telescópio Victor M. Blanco no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, também no Chile.

Pesquisadores identificaram entre 70 e 170 planetas desgarrados, no entanto, alguns deles podem ser estrelas anãs marrons
Imagem: European Southern Observatory — Captura de tela do YouTube

“Medimos os movimentos minúsculos, as cores e luminosidades de dezenas de milhões de fontes em uma grande área do céu”, disse Miret-Roig. “Essas medições nos permitiram identificar com segurança os objetos mais fracos nesta região, os planetas desgarrados”.

Ela conta que os pesquisadores captaram a energia infravermelha emitida por 70 a 170 planetas gigantes gasosos. Segundo Miret-Roig, o intervalo decorre da incerteza: as observações não permitiram à equipe determinar as massas exatas dos corpos observados, e objetos pelo menos 13 vezes mais massivos que Júpiter são provavelmente “estrelas falidas” conhecidas como anãs marrons, e não planetas. 

Esses resultados reforçam a ideia de que planetas desgarrados (rebeldes, nômades ou qualquer que seja a alcunha) são comuns em toda a Via Láctea, talvez até superando em número os mundos “padrão” que orbitam normalmente suas estrelas hospedeiras.

Uma investigação mais aprofundada desses mundos recém-descobertos e de outros semelhantes, segundo a equipe, poderia ajudar os cientistas a entender melhor o surgimento e a evolução de planetas desgarrados.

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