Ciência e Espaço

Foguete Soyuz coloca em órbita 36 satélites para a constelação OneWeb

Por Rafael Rigues, editado por Acsa Gomes
27/12/21 16h58, atualizada em 29/12/21 16h25
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Um foguete russo Soyuz, operado pelo consórcio europeu Arianespace, colocou em órbita nesta segunda-feira mais 36 satélites para a empresa inglesa OneWeb. A empresa está construindo uma constelação de mesmo nome que oferecerá acesso à internet via satélite em banda larga a consumidores em todo o mundo, especialmente locais remotos ou mal servidos pelos meios de conexão tradicionais.

A missão OneWeb Fight 12 decolou a bordo de um foguete Soyuz 2-1B às 10h10 (horário de Brasília) do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. Três horas após o lançamento os satélites foram colocados em uma órbita inicial a 450 km de altitude, e posteriormente serão manobrados até sua órbita final, a 1.000 km de altitude. 

Com o lançamento desta segunda-feira a OneWeb tem 394 satélites em órbita, cerca de 60% do total de 648 satélites que terá quando a constelação estiver completa. Este foi o oitavo lançamento no ano para a OneWeb e o 15º para a Arianespace, que no último sábado (25) lançou o telescópio espacial James Webb a bordo de um foguete Ariane 5 a partir do Centro Espacial da Guiana em Kourou, na Guiana Francesa.

“A demanda por conectividade existe em um nível não apenas emocional, ela é quase visceral”, disse o CEO da OneWeb, Neil Masterson, em uma entrevista ao site Via Satellite neste mês. “Acreditamos que temos uma incrível oportunidade para ajudar a acabar com a exclusão digital. 

Concorrência é numerosa

A principal concorrente da OneWeb é a SpaceX e sua constelação Starlink, que até o momento conta com mais de 1.700 satélites em órbita servindo a consumidores em mais de 20 países. Os planos da empresa, entretanto, são muito mais ambiciosos, e incluem envolver o planeta em múltiplas “camadas” (shells) contendo até 30 mil satélites no total, o que vem gerando críticas da comunidade astronômica internacional, que teme que os equipamentos possam prejudicar, e até inviabilizar, as observações a partir da Terra.

Outra concorrente é a Kuiper Systems, subsidiária da Amazon que está desenvolvendo o “projeto Kuiper”, uma constelação de 3.236 satélites de banda larga. Além do serviço de conexão diretamente ao consumidor, a constelação também servirá para reforçar a infraestrutura do serviço de computação em nuvem da empresa, o Amazon Web Services (AWS), facilitando a interconexão dos vários data centers. 

Foguete Atlas V, da United Launch Alliance, será usado para lançar os satélites do “projeto Kuiper” da Amazon. Imagem: Imagem: Bill Morson / Shutterstock

Entretanto, até o momento nenhum satélite do projeto Kuiper foi lançado. A licença da Federal Communications Commission (FCC), agência do governo dos EUA que controla a indústria de telecomunicações no país, de forma similar à nossa Anatel, exige que a Amazon coloque em operação pelo menos metade da constelação, cerca de 1.618 satélites, até julho de 2026.

Ao contrário da SpaceX, que lança seus satélites a bordo de seus próprios foguetes reutilizáveis Falcon 9, os satélites do Project Kuiper são projetados para poderem ser lançados por diferentes tipos de foguetes. Em abril deste ano a Amazon anunciou um contrato com a United Launch Aliance (ULA) para nove lançamentos usando foguetes Atlas V. 

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