A Rússia tem testado seu veículo aéreo não tripulado (UAV) Orion na função de “matador de drones”, usando uma nova variante de um míssil guiado existente para abater um drone de asa rotativa. Conforme traz o relatório do The Drive, o veículo russo dos testes realizados na Crimeia é semelhante ao drone Predator (desenvolvido pela empresa General Atomics para a Força Aérea dos Estados Unidos).

Segundo o Ministério da Defesa russo, o experimento prova que, agora, o drone Orion é capaz de atacar outros drones em combate. O avanço registrado se integra a um esforço mais amplo para introduzir várias novas capacidades de armas para este e outros UAVs do país.

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O vídeo da campanha-teste foi lançado recentemente pelo Ministério da Defesa da Rússia e, aparentemente, foi exibido pela primeira vez como parte de um documentário no canal de TV estatal Russia-1. O drone Orion – também conhecido como Inokhodets – é mostrado disparando uma nova versão do míssil guiado antitanque Kornet 9M113 (ATGM) contra um drone helicóptero, servindo como alvo. Confira:

O relatório afirma que os dois drones começaram cerca de 96 km distantes um do outro, e o alvo foi atacado a uma distância de 4 km, aproximadamente. O Kornet ATGM básico usa orientação de condução de feixe de laser e requer controle manual para ser levado ao seu alvo.

A versão lançada pelo ar, ao que tudo indica, também possui modos guiados por infravermelho e a TV. Entretanto, não está claro se tais modos são usados ​​para orientação de mísseis ou simplesmente para ajudar o operador a detectar e rastrear alvos. Além disso, o processo pelo qual o operador do drone inicialmente encontra o alvo permanece desconhecido.

Drone pode ser uma resposta dos militares russos à Ucrânia

O Orion é normalmente equipado com uma torre que monta câmeras eletro-ópticas e infravermelhas, bem como um designador de alvo a laser para lançar armas guiadas contra alvos no solo. As imagens do vídeo sugerem que um piloto na estação de controle de solo usa esses sensores a bordo do drone para, primeiro, detectar o alvo no ar e, em seguida, comandar o lançamento de um míssil.

O major-general Alexander Novikov, chefe do Gabinete do Estado-Maior Russo para Desenvolvimento de UAVs, disse que o drone Orion pode derrubar o veículo aéreo de combate não tripulado (UCAV) Bayraktar TB2 de fabricação turca e outros drones. O TB2 foi amplamente anunciado como um divisor de águas em conflitos recentes na Síria, Líbia e entre o Azerbaijão e a Armênia.

Drone Bayraktar TB2
Imagem: Divulgação/Baykar

Mais significativamente, o drone turco tem sido operado em combate pela Ucrânia, um país com o qual a Rússia está profundamente envolvida em conflitos desde 2014. A Crimeia, por sinal, é uma área que Moscou apreendeu da Ucrânia em 2014 e que, desde então, tem sido o foco de renovada atividade militar – de simulações de aterrissagem anfíbia a exercícios de mísseis anti-navio.

Autoridades russas apontando para a nova capacidade específica do Orion – de abater drones TB2 – parece ser um sinal muito claro para a Ucrânia. Com um peso bruto de cerca de 1 mil kg e duração máxima de voo de até 24 horas, o drone da Rússia pode carregar até 200 kg, incluindo bombas pequenas ajustáveis de 20 kg cada ou até três bombas de 50 kg. Sua altitude máxima é de 7,5 km, atingindo velocidades de 200 km/h. O drone tem um alcance de sinal de 250 km.

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Há poucos exemplos de combates envolvendo drones como plataformas de lançamento de mísseis ar-ar em situações de conflito até o momento. A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) começou a trabalhar nessa direção por volta de 2003, durante a Guerra do Iraque, quando armou unidades MQ-1 com a versão ar-ar do míssil Stinger buscador de calor.

O intuito era fornecer um certo grau de proteção contra os jatos iraquianos. Desde então, a USAF usou seu MQ-9 Reaper para lançar míssil ar-ar, disparando um AIM-9X Sidewinder contra um alvo em manobra durante um teste em novembro de 2017. Outro exemplo é do Irã, que teria usado seu UAV Karrar como um “drone interceptador” para destruir alvos aéreos durante os exercícios.

Correndo atrás do prejuízo

Ao que tudo indica, a Rússia voltou seus esforços para armar seus novos drones com uma ampla gama de munições para missões ar-solo e agora ar-ar. Depois de ficar atrás dos Estados Unidos, China e de outros países no desenvolvimento de drones modernos de qualquer tipo, Moscou parece estar focando sua atenção não apenas em preencher nichos em termos de tamanho e desempenho, mas também fornecendo novas capacidades de armas para eles. Resta saber, entretanto, se essas tecnologias ambiciosas cumprem sua promessa.

Uma série de reportagens russas na semana passada apresentou desenvolvimentos de drones de combate, como trouxe a Forbes. Porém, há uma espécie de ceticismo no ar sobre as capacidades reais do que foi observado.

Entre as razões para essa onda repentina de relatórios de drones da Rússia pode estar o fato de que não basta ter a tecnologia; ela tem que ser conhecida. A ascensão da Turquia ao status de “superpotência drone” foi impulsionada por extensa cobertura da mídia, enquanto os desenvolvimentos russos ocorreram nas sombras.

Os desenvolvimentos dos drones para a Rússia são significativos porque o sistema poderá significar um papel fundamental em qualquer plano para uma vitória rápida no leste da Ucrânia, com poucas baixas do lado russo. Conforme traz a Forbes, muitos drones militares russos já estão posicionados e podem estar prontos para sobrevoar a Ucrânia, no que pode ser a maior demonstração de poder aéreo robótico até então.

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