A Associação de Exploradores do Espaço (ASE, na sigla em inglês) confirmou a morte de Michael “Rich” Clifford, astronauta da NASA que voou na missão STS-79 após ser diagnosticado com Mal de Parkinson, uma doença neurológica que afeta primariamente a capacidade de movimento do paciente. Ele tinha 69 anos.

De acordo com a associação, Clifford faleceu devido a complicações da doença. Originalmente diagnosticado em 1994, ele manteve o problema em segredo devido ao seu desejo de visitar o espaço pela terceira – e última – vez na missão mencionada. Na época, somente a equipe médica da NASA e seu comandante direto souberam, mantendo um monitoramento cuidadoso do astronauta.

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Imagem mostra Rich Clifford trabalhando dentro de uma cabine
Rich Clifford foi diagnosticado com a Doença de Parkinson em 1994, mas a manteve em segredo para conseguir voar ao espaço uma última vez (Imagem: NASA/Divulgação)

Rich Clifford foi selecionado pela NASA para ser um astronauta em 1990, três anos após ser designado pelo exército dos EUA para trabalhar no Centro Espacial Johnson como engenheiro de integração veicular. Depois de passar pelo treinamento, ele foi convocado para a missão STS-52 em 1992, a sua primeira entre três, junto de outros três companheiros de viagem para um trabalho secreto para o Departamento de Defesa (DoD, mais uma vez, na sigla em inglês).

A missão durou uma semana e viu, entre outras coisas, a realização de alguns experimentos médicos, como o impacto da microgravidade no tecido ósseo e a capacidade de observar objetos na baixa órbita da Terra, tanto por eles próprios no espaço, como pelo controle de missão no solo.

Em 1994, ele voltou ao espaço dentro do ônibus espacial Endeavour, na missão STS-59. Nesta empreitada, ele, como especialista de missão, foi incumbido de trabalhar na instalação e operação do Laboratório de Radar Espacial (SRL), desenhado para observar variações climáticas na Terra do espaço e determinar se elas têm origem humana ou natural.

Foi no retorno desta missão que ele recebeu o diagnóstico de Parkinson, que ele disse, anos mais tarde, ter começado a perceber quando caminhava: seu braço direito ficava dormente e paralisado, não realizando o movimento natural de se movimentar para frente e para trás.

Voando novamente na missão STS-76, seus sintomas não atrapalharam a condução da missão, que envolveu a entrega da astronauta Shannon Lucid à Estação Espacial Mir, da Rússia, onde ela viveria por 188 dias. Na ocasião, junto de sua companheira de viagem Linda Goodwin, Clifford realizou a primeira caminhada espacial sobre uma nave acoplada a uma estação, onde instalaram quatro experimentos científicos em uma atividade extra-veicular que durou pouco mais de seis horas.

Voltando à Terra em 31 de março de 1996, Rich Clifford decidiu se aposentar e não buscar missões de voo adicionais, por medo de que seus sintomas progredissem mais rápido do que ele esperava. Ao assinar o seu desligamento em janeiro de 1997, ele somava um total de 27 dias, 18 horas e 24 minutos no espaço, completando 443 órbitas ao redor da Terra.

Nascido em 13 de outubro de 1952, Michael Richard Uram “Rich” Clifford era natural de São Bernardino, na Califórnia, mas considerava Ogden, Utah, como sua terra natal. Ele obteve um diploma de ciências pela Academia Militar de West Point, e um mestrado na mesma área pela Universidade de Georgia, em 1982. Quando saiu de West Point (e antes do seu mestrado), ele foi convocado como subtenente no exército dos Estados Unidos, onde se juntou à escola de aviação militar, onde se formou em primeiro lugar de sua turma.

Até 1986, ele já havia catalogado 3,6 mil horas de voo. Depois de deixar a NASA, anos mais tarde, ele foi trabalhar para a Boeing, como gerente de operações para a Estação Espacial Internacional (ISS). Em 2011, ele atuou como o gerente geral da última missão da geração dos ônibus espaciais.

Em sua vida pessoal, Clifford era conselheiro de pacientes para a Fundação Michael J. Fox para a Doença de Parkinson, criada pelo ator de De Volta Para o Futuro. Em 2014, um documentário independente sobre a sua vida foi lançado, com roteiro e direção de Zach Jankovic.

“Todo mundo que vive com Parkinson, vive de uma forma diferente”, ele disse em entrevista em 2015, para a fundação. “Não permita que isso seja um obstáculo para a sua vida. A vida é muito boa. Lembre-se: continue sempre em frente, o céu é o limite”.

Ele deixa a esposa, Nancy Elizabeth Clifford, com quem foi casado por 45 anos, e dois filhos, Richard e Brandon.

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