Não se pode negar que o ano de 2021 foi especialmente agitado no que diz respeito à exploração do espaço: além dos voos focados no turismo espacial, merecem destaque o pouso do rover Perseverance e do helicóptero Ingenuity em Marte e o lançamento da espaçonave Double Asteroid Redirection Test (DART), da Nasa – missão que testará uma nova abordagem para defender nosso planeta contra asteroides perigosos. Isso sem falar de outras importantíssimas missões científicas, entre as quais não podemos deixar de fora a principal: o tão esperado lançamento do Telescópio Espacial James Webb.

Lançado em dezembro de 2021, o Telescópio Espacial James Webb começará a enviar informações à Terra a partir de julho, segundo estimativas da Nasa. Imagem: edobric – Shutterstock

E 2022 tem tudo para dar continuidade a essa agenda tão intensa. Desde novos veículos,  como a Starship da SpaceX, o megafoguete do Sistema de Lançamento Espacial (SLS) da Nasa, o foguete Vulcan Centaur da United Launch Alliance (ULA) e a nave New Glenn, da Blue Origin, até missões à Lua e a Marte, muitas atividades emocionantes devem ser lançadas ou chegar ao seu destino neste ano, considerando também algumas missões que foram adiadas no ano passado.

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Saiba quais são as missões espaciais mais aguardadas para 2022

Primeiro lançamento orbital da Starship, da SpaceX

De acordo com o planejamento da SpaceX, a empresa programou para o início de março o primeiro lançamento orbital da Starship, com até uma dúzia de voos de teste seguintes ainda em 2022.

Tanto o veículo Starship quanto seu propulsor Super Heavy estão agora completos, e a Starbase, como é chamado o local onde ficam a torre e a plataforma de lançamento em Boca Chica, no sul do Texas, está prestes a ser concluída.

A SpaceX deve fazer o primeiro voo de teste orbital da Starship em março deste ano. Imagem: AleksandrMorrisovich – Shutterstock

Para saber detalhes sobre o plano de teste de voo orbital da Starship, nave que consiste em dois elementos, ambos projetados para serem totalmente e rapidamente reutilizáveis, clique aqui. Segundo o site Space, se a SpaceX for capaz de recuperar e reutilizar a Starship durante os voos de teste deste ano, as missões operacionais podem começar em 2023. A empresa planeja eventualmente usar a espaçonave, que levará pessoas à Lua em caráter comercial, também para missões em Marte.

Primeira missão privada da Axiom Space à Estação Espacial Internacional (ISS)

A empresa Axiom Space, com sede em Houston, pretende levar astronautas para o espaço em 2022 para uma missão privada à Estação Espacial Internacional (ISS), por meio de uma parceria com a SpaceX, que objetiva lançar quatro missões tripuladas ao laboratório orbital usando cápsulas Crew Dragon e foguetes Falcon 9.

Prevista para ser lançada em 28 de fevereiro, a Missão Axiom 1 (Ax-1) – que, originalmente, visava um lançamento em 2021 – tem uma tripulação composta por quatro membros: Michael López-Alegría (ex-astronauta da Nasa, veterano de três missões espaciais pela agência), o empreendedor norte-americano Larry Connor, o CEO de uma empresa de investimentos no Canadá, Mark Pathy e o ex-piloto de caça israelense Eytan Stibbe. A viagem provavelmente contará com oito dias na ISS e dois dias de trajeto. 

Segundo a Axiom, essa será “a primeira viagem totalmente privada” à estação. A equipe está planejando um total de 25 experimentos de microgravidade, que irão se concentrar em ciência, educação e divulgação.

A Nasa já deu luz verde para uma segunda missão tripulada da Axiom à ISS. Esse voo, conhecido como Ax-2, está atualmente programado para ser lançado do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no segundo semestre de 2022. 

Envio do módulo robótico Nova-C, da Intuitive Machines, à Lua

Outra missão originalmente programada para 2021 e que ficou para este ano é o lançamento do módulo de pouso lunar robótico Nova-C, construído pela Intuitive Machines, com sede em Houston. 

Ele vai decolar no topo de um foguete SpaceX Falcon 9 em um voo patrocinado pela Nasa já no início de 2022, transportando cinco cargas úteis dos Serviços Comerciais Lunares (CLPS) da agência espacial norte-americana, bem como várias outras cargas comerciais – incluindo um pequeno rover da empresa britânica Spacebit, que representará a primeira missão do Reino Unido à superfície lunar. 

Ilustração do módulo de pouso Nova-C da Intuitive Machines com uma representação do Experimento 1 de Mineração de Gelo de Recursos Polares da NASA (PRIME-1) anexado à espaçonave na superfície da lua. Crédito: Intuitive Machines

“Nossa parceria com a Intuitive Machines é um grande exemplo de duas empresas privadas trabalhando em conjunto com a Nasa para promover a exploração espacial”, disse a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, em comunicado.

Segundo Shotwell, a nave Nova-C tentará pousar em uma área da lua chamada Mare Serenitatis, para entregar as cargas à superfície e enviar dados à Terra. Movido a energia solar, o módulo de pouso é capaz de operar por cerca de 14 dias terrestres.

Lançamento do megafoguete SLS da Nasa

Até março, de acordo com o planejamento da Nasa, acontecerá o lançamento inaugural de seu Sistema de Lançamento Espacial (SLS) – um foguete de 101 metros de altura que será usado para as próximas missões lunares. 

O foguete, com a cápsula Orion montada no topo, está atualmente em testes no Centro Espacial Kennedy, na Flórida, para garantir que a espaçonave e os componentes do foguete estejam se comunicando corretamente com os sistemas terrestres.

O lançamento inaugural de seu Sistema de Lançamento Espacial (SLS) está previsto para março. Imagem: Nasa/Divulgação

Além disso, depois que os testes forem concluídos, acontecerá a primeira viagem espacial oficial do SLS, uma missão não tripulada chamada Artemis 1, que deve ocorrer até abril – a Nasa está mirando possíveis janelas de lançamento entre 12 e 27 de março e 8 a 23 de abril.

Segunda missão de teste não tripulada da Starliner

Segundo a Nasa, ela está programando, junto com a Boeing, o segundo teste de voo orbital (OFT-2) da espaçonave CST-100 Starliner da empresa, para o início de maio de 2022.

O OFT-1, que foi lançado ao espaço em 2019, enfrentou uma série de imprevistos e não chegou à ISS como planejado devido a problemas de software. De acordo com a Boeing e a Nasa, o software da espaçonave Starliner havia sido recertificado para a missão OFT-2 em janeiro do ano passado.

Durante a última janela de lançamento, em agosto, um problema nas válvulas de alimentação de oxidante (que reage com o combustível, potencializando sua “queima”) foi identificado na Starliner, motivo pelo qual a missão não pôde ser realizada.

Agora, a Boeing planeja lançar sua espaçonave no topo de um foguete ULA Atlas V em maio de 2022, a depender do cronograma de lançamento de outros veículos rumo à ISS naquele momento. O módulo de serviço originalmente planejado para o teste de voo tripulado (CFT) – o primeiro voo de teste com astronautas a bordo – agora será usado para a missão OFT-2.

Primeiro voo de teste tripulado da Starliner

Com o atraso do OFT-2 para maio de 2022, consequentemente, o lançamento da missão de Teste de Voo Tripulado (CFT) também foi adiado. Supondo que a Starliner passe em seu teste de voo não tripulado, a Boeing planeja enviar três astronautas para a ISS em um voo de teste prolongado, ainda neste ano, se tudo correr bem. Como o módulo CFT será usado para o OFT-2, conforme dito anteriormente, o módulo de serviço planejado para a primeira missão operacional (chamado Starliner 1) será usado para a missão tripulada.

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Lançamento da missão JUICE, da ESA

Também para maio deste ano está programado o lançamento da missão “Jupiter Icy Moons Explorer” (JUICE), da Agência Espacial Europeia (ESA), com o intuito de chegar ao gigante gasoso em 2029, onde passará pelo menos três anos estudando o Sistema Joviano, incluindo três das maiores luas de Júpiter: Ganimedes, Europa e Calisto.

Início das operações científicas do Telescópio Espacial James Webb

O Telescópio Espacial James Webb fez seu lançamento histórico em 25 de dezembro, após décadas de desenvolvimento e vários atrasos. Dentro de cerca de seis meses, espera-se que todos os sistemas e instrumentos estejam totalmente funcionais.

Isso deve acontecer em meados de junho e, se tudo correr bem, o telescópio começará a estudar as primeiras estrelas e galáxias do universo, bem como as atmosferas de planetas alienígenas próximos e muito mais.

Lançamento do foguete Vulcan Centaur, da United Launch Alliance (ULA)

Segundo a ULA, o novo foguete Vulcan Centaur terá seu voo inaugural em 2022. O veículo, que é o sucessor dos foguetes Atlas V e Delta IV da empresa, eliminará gradualmente os propulsores russos que alimentaram a linha Atlas, substituindo-os por motores fabricados pela Blue Origin.

Renderização do foguete Vulcan Centaur, o veículo de lançamento de próxima geração da United Launch Alliance, que deve ser lançado em seu primeiro voo de teste em 2022. Imagem: United Launch Alliance

Originalmente programada para 2021, a estreia do foguete foi adiada devido a problemas na cadeia de suprimentos para o módulo de pouso Peregrine, que está sendo construído pela empresa Astrobotic Technology, com sede em Pittsburgh, no oeste do estado americano da Pensilvânia. 

O módulo de pouso Peregrine carregará o primeiro rover lunar do Japão, chamado Yaoki, que foi feito pela japonesa Dymon. A missão, que é patrocinada pelo programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS) da Nasa, também tem como objetivo conduzir os restos cremados do escritor de ficção científica Arthur C. Clarke, para serem depositados na Lua.

Missão de pouso da Rússia no polo sul da Lua

Em julho deste ano deve se concretizar o plano da Rússia de lançar uma missão à Lua. Conhecida como Luna 25, essa será a primeira missão do país à superfície da Lua em 45 anos e a primeira a pousar no polo sul lunar.

Luna 25 foi inicialmente programada para ser lançada em outubro de 2021 em um foguete Soyuz-2-1b Fregat do Cosmódromo Vostochny. No entanto, a missão foi adiada devido a problemas identificados com o sistema de pouso da espaçonave durante testes cruciais.

Assim, é necessário mais tempo para completar testes bem sucedidos do sistema de pouso suave de Luna 25. Depois de lançada, a espaçonave, que levará nove instrumentos a bordo, pousará no polo sul da Lua para pesquisar o regolito lunar e a exosfera. A região está sendo considerada para missões lunares tripuladas da Nasa e de outras agências espaciais no futuro. 

Entre as décadas de 1950 e 1970, a antiga União Soviética enviou várias missões não tripuladas à Lua, incluindo a primeira nave espacial a atingir a superfície (Luna 2, em 1959), a primeira nave espacial com pouso controlado (Luna 9, em 1966) e o primeiro rover lunar robótico (Luna 17/Lunokhod 1, em 1970), entre outros marcos.

SpaceX lança missão Psyche, da Nasa

Também em julho, a SpaceX lançará a missão Psyche, da Nasa, rumo a um asteroide de mesmo nome, que orbita o sol entre Marte e Júpiter. O asteroide parece ser o núcleo de níquel-ferro exposto de um planeta primitivo – um dos blocos de construção do nosso sistema solar. Segundo a Nasa, estudar esse asteroide oferecerá novas pistas sobre como planetas rochosos como a Terra se formam.

A missão usará um dos foguetes Falcon Heavy da SpaceX e está programada para ser lançada a partir do Complexo de Lançamento 39A na Estação da Força Aérea do Cabo Canaveral, na Flórida.

Voos de teste não tripulados da Índia

Para o segundo semestre, está programado o primeiro voo de veículo de teste para a missão espacial Gaganyaan, da Índia, seguido por uma segunda missão não tripulada até o fim de 2022. 

Essa segunda missão levará um robô humanoide de navegação espacial chamado Vyommitra, que foi desenvolvido pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO). Se tudo correr bem, a ISRO planeja lançar a primeira missão Gaganyaan tripulada em 2023.

Estreia do foguete New Glenn, da Blue Origin

Também para o fim do ano, a Blue Origin lançará seu primeiro foguete orbital, o New Glenn, batizado assim em homenagem a John Glenn, astronauta da missão Mercury da Nasa. O foguete pode enviar até 14 toneladas para a órbita geoestacionária e 50 toneladas para órbita baixa da Terra. 

New Glenn – um foguete parcialmente reutilizável projetado para lançar uma variedade de cargas de grande porte – estava originalmente programado para ser lançado em 2021, mas foi adiado quando a empresa de Jeff Bezos perdeu um contrato da Força Espacial dos EUA.

Segundo a Nasa, que já fez uso do foguete suborbital New Shepard para alguns experimentos, o novo foguete da Blue Origin será adicionado à sua frota de veículos de lançamento comercial.

Sonda Juno alcançará a lua Europa, de Júpiter

Desde que chegou em órbita ao redor de Júpiter, em 4 de julho de 2016, a sonda Juno, da Nasa, vem explorando o gigante gasoso e fazendo alguns sobrevoos próximos de suas luas galileanas. Espera-se que ela chegue muito perto de sua enorme lua Europa no fim de 2022.

Espaçonave Juno em órbita de Júpiter
Sonda Juno, da Nasa, que deverá alcançar a lua Europa, de Júpiter, até o fim de setembro. Imagem: Nasa

Em fevereiro, Juno viajará a uma distância de cerca de 47 mil km de Europa. Então, no fim de setembro, espera-se que a sonda esteja a apenas 355 km acima da superfície de Europa, oferecendo uma visão muito próxima da lua maciça, de acordo com um comunicado da Nasa.

DART impacta Didymos em setembro

A missão DART está programada para chegar ao seu alvo – um asteroide chamado Didymos – no fim de setembro deste ano. Projetada para testar um novo método chamado “impacto cinético”, a DART tentará desviar o asteroide com o propósito de defesa planetária.

Lançada em 23 de novembro de 2021 no topo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, assim que atingir o asteroide, a uma velocidade de 6,6 km/s, DART afetará deliberadamente sua lua Dimorphos, alterando sua velocidade orbital o suficiente para modificar sua órbita ao redor de Didymos. 

Essa será a primeira missão de defesa planetária a testar métodos de deflexão de asteroides.

Missão ExoMars, uma parceria entre a ESA e a Roscosmos

Uma missão conjunta do planeta vermelho chamada ExoMars, liderada pela Agência Espacial Europeia (ESA) e pela agência espacial russa Roscosmos, deve ser lançada entre agosto e outubro, de acordo com um comunicado da ESA. 

Vários testes de pouso de paraquedas mal sucedidos em 2019 e 2020 causaram atrasos no lançamento da missão, que estava originalmente programada para decolar em julho de 2020.

Para que a sonda ExoMars pouse corretamente em Marte, são necessários dois paraquedas. Porém, testes realizados em condições que imitam a atmosfera marciana mostraram que o tecido dos paraquedas se rasgava enquanto a descida era realizada.

ExoMars é uma iniciativa para estudar tanto a superfície quanto a atmosfera do planeta. O programa tem duas fases em andamento. O rover, chamado Rosalind Franklin, é a segunda etapa. Os componentes da primeira fase, o Trace Gas Orbiter (TGO) e o Schiaparelli (um demonstrador de pouso), chegaram a Marte em outubro de 2016. 

Enquanto Schiaparelli caiu durante sua tentativa de pouso e foi considerado perdido, o TGO permanece em excelente saúde. O satélite está realizando trabalhos científicos e servirá como uma ponte de comunicações para o rover.

Se tudo correr de acordo com o plano, o rover ExoMars pousará na superfície marciana em junho de 2023. Ele é equipado com um conjunto especial de instrumentos projetados para procurar moléculas orgânicas e cavar mais abaixo da superfície do que seus antecessores.

Missão de mineração do gelo lunar da Nasa

Além do módulo de pouso lunar robótico Nova-C, a parceria da Nasa com a empresa Intuitive Machines também visa pousar uma broca de mineração de gelo no polo sul da Lua. Isso está programado para dezembro deste ano. 

Chamada de Polar Resources Ice Mining Experiment-1 (PRIME-1), essa é a primeira missão projetada para colher gelo de água de dentro da lua – um recurso que a Nasa espera utilizar para seu programa Artemis destinado a levar astronautas de volta à Lua até 2025 e, eventualmente, construir uma presença lunar sustentável.

Pesando 40 kg, a Missão PRIME-1 conta com dois componentes principais: o TRIDENT (sigla em inglês para “Broca de Gelo e Regolito para Exploração de Novos Terrenos”) e o MSolo (espectrômetro de massa de observação das operações lunares). 

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