Biólogos acreditam que os peixes-leão, uma espécie nativa dos oceanos Pacífico e Índico, foram introduzidos no Atlântico por proprietários de aquários que os soltaram de cativeiros em águas costeiras próximas, onde eles vêm ameaçando o ecossistema marinho local desde a década de 80.

Peixes-leão podem chegar a 50cm de comprimento e engolem suas presas inteiras. Imagem: Vladislav Gajic – Shutterstock

Entre as variadas tentativas de combater esses predadores, um novo estudo se destaca. “Muitos planos de remoção de espécies invasoras devem agora se esforçar para suprimir densidades em vez de erradicação total de peixes-leão invasivos devido à sua amplitude generalizada e efeitos prejudiciais sobre as espécies nativas”, explicou Alexandra Davis, pesquisadora de pós-doutorado na Faculdade de Ciências da Universidade de Alberta,  localizada em Edmonton, Canadá, principal autora da pesquisa.

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Segundo Alexandra, os peixes-leão podem crescer até meio metro de comprimento e são predadores limitados, o que significa que engolem suas presas inteiras. Além disso, não têm predadores naturais no Atlântico, graças, em parte, a 18 espinhos venenosos em seu dorso.

Estudo busca remover peixes-leão de forma econômica e ecológica

Ainda de acordo com a pesquisadora, os peixes-leão podem devastar uma população de presas que habitam recifes de coral — matando até 95% delas — em apenas alguns anos. Eles vêm ocupando os mares da Flórida e de todo o Caribe, chegando ao sul do Brasil.

Alexandra explica que o objetivo de seu estudo era encontrar diferentes fatores para tornar a remoção de peixes-leão mais rápida e eficiente. “Um dos conceitos centrais por trás dessa pesquisa é que nunca vamos nos livrar do peixe-leão, eles estarão lá para sempre, mas queremos ser capazes de gerenciá-los da forma mais econômica e eficiente possível, e também obter o máximo benefício ecológico”.

Para o estudo, a equipe modelou uma série de fatores que podem influenciar a remoção, como o tamanho, densidade e comportamento dos peixes. Eles também analisaram se o habitat e a hora do dia tornam a remoção de peixes-leão mais fácil ou mais difícil, bem como a experiência dos próprios removedores.

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Os modelos do estudo mostraram que, se os esforços de remoção estiverem focados no amanhecer e no anoitecer, quando os peixes-leão estão mais ativos, os cientistas podem economizar um minuto ou mais por peixe-leão removido.”Se você está em um recife com 15 a 20 peixes-leão, a hora do dia pode economizar até 20 minutos em seu mergulho”, disse Alexandra.

Assim, a experiência foi um grande poupador de tempo. Aqueles que trabalhavam para o serviço, por exemplo, eram de um a dois minutos mais eficientes por peixe-leão do que removedores não relacionados à pesquisa.

“Sem ter que entrar na água, você pode enviar seus mergulhadores mais experientes ao amanhecer e ao anoitecer e você vai economizar tempo, o que, naturalmente, equivale ao dinheiro economizado para os esforços de remoção”, explicou a cientista.

O próximo passo é usar os dados disponíveis para gerir recursos finitos da forma mais eficiente possível. “Outros pesquisadores também têm que pensar sobre o que estamos tentando conservar e quais são os outros recursos que valorizamos”, disse Alexandra.

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