O governo americano aconselha as empresas da indústria de chips a diversificar sua cadeia de suprimentos. A medida é uma resposta a possíveis retaliações que podem ser impostas pela Rússia a qualquer momento em meio ao conflito com a Ucrânia, impedindo a exportação de produtos considerados essenciais para a fabricação de semicondutores.

Segundo a Reuters, o potencial de retaliação ganhou ainda mais força nos últimos dias após o grupo de pesquisa de mercado Techcet apontar para a dependência do setor de matéria-prima de origem russa e ucraniana.

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Chip de processamento da Intel (processador Intel Core) na mão de um engenheiro
Conflito na Ucrânia pode gerar impactos na indústria de chips. Imagem: Tester128/Shutterstock

Conforme o levantamento de fevereiro, mais de 90% dos suprimentos de neon voltados para a indústria de semicondutores americana vêm da Ucrânia, enquanto 35% do paládio é de origem russa.

O neon é fundamental para os lasers utilizados ​​na fabricação de chips, se trata de um subproduto da fabricação de aço russo purificado na Ucrânia antes da exportação. O paládio, por sua vez, é usado principalmente em sensores e chips de memória.

Peter Harrell, do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, está em contato com membros da indústria de chips para colher informações sobre a dependência de materiais russos e ucranianos, a ideia é encontrar fontes alternativas o quanto antes.

“Entendemos que outras fontes de produtos-chave estão disponíveis e estamos prontos para trabalhar com nossas empresas para ajudá-las a identificar e diversificar seus suprimentos”, comentou Harrell.

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Conflito na Ucrânia

A Casa Branca, apesar de não comentar mais detalhes sobre o caso, está em alerta máximo também para a possível invasão da Rússia à Ucrânia. O governo Biden já estuda impor amplos controles de exportação contra a Rússia caso isso ocorra.

Por ora, alguns fabricantes estão se preparando para as consequências do embate. Conforme a Reuters, a movimentação na Ucrânia já fez com que os preços de alguns materiais aumentassem bastante, o que pode gerar ainda mais problemas de abastecimento. 

William Moss, porta-voz da Intel, disse que a companhia não prevê nenhum impacto no curto prazo. Contudo, a questão ainda é preocupante, já que a oferta global de chips já está escassa.

Por fim, vale ressaltar que, de acordo com a Comissão de Comércio Internacional dos EUA, o preço do neon saltou 600% no período da anexação da península da Crimeia feita pela Rússia em 2014, uma vez que as empresas de chips já dependiam de matéria ucraniana. Resta saber o que vai acontecer nas próximas semanas.

Via: Reuters

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