O fundador da plataforma de venda de filmes Cinemarket, baseada em blockchain, está lançando a start-up Cineverse, que promete tornar possível que cineastas, distribuidores e produtores comercializem filmes diretamente, usando blockchain e tecnologia NFT.

A Cineverse foi criada pelo CEO da Cinemarket, Adrian Lugol, juntamente com Vincent Lopez e Daniel Siegler. A companhia permitirá que usuários comprem, compartilhem, presenteiem, vendam e revendam filmes na plataforma.

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A ideia para a criação do projeto surgiu de uma situação do cotidiano, quando Lugol teve o desejo de presentear alguns de seus filmes favoritos em formato DVD para um sobrinho, ele contou em entrevista à Variety. No entanto, ele acabou descobrindo que a família não possuía mais um aparelho de DVD.

Então, em seu trabalho como CEO da Cinemarket, Lugol percebeu que licenças de filmes podem ser trocadas entre duas pessoas. Como ele já trabalhava como NFTs, começou a explorar formas para essa tecnologia ser usada para apoiar cineastas independentes.

Lugol percebeu que havia uma frustração crescente entre cineastas independentes com a indústria, que oferece acordos ruins em grandes plataformas de streaming, além de complexidades legais dos negócios e impactos da pandemia em festivais de cinema.

“Assim que lançamos esta ideia para dois ou três grupos de produtores e diretores, eles todos amaram. Então nós tínhamos que construir isso,” comentou Lugol.

O objetivo da Cineverse é oferecer uma plataforma aberta que permite cineastas e distribuidores vender conteúdo diretamente para a audiência usando princípios de mídias sociais como a criação de comunidades em que filmes podem ser discutidos, compartilhados e vendidos.

Por mais que Lugol e seus parceiros sejam os criadores da plataforma, eles não se veem sendo donos dela por muito tempo. “Nós queremos que a comunidade seja dona dela. Para ter uma plataforma descentralizada adequadamente, você não pode ter uma Netflix ou um Google controlando ela,” explicou Lugol.

Os criadores inclusive buscam transformar o projeto Cineverse em uma fundação, antecipando a reação de grandes corporações de mídia em relação à companhia.

Outra vantagem da plataforma é a possibilidade de cineastas de diferentes lugares do mundo, que muitas vezes não conseguem acordos internacionais, poderem alcançar audiências mais diversas do mundo inteiro.

Lugol vê a vantagem da Cineverse em relação a outras plataformas de NFTs e blockchain relacionadas a financiamento de filmes sendo a infraestrutura que oferece um sistema de pagamento ideal. Segundo ele, a plataforma oferece sem cobrar nada um sistema em que, quando alguém faz um pagamento, todos recebem suas partes automaticamente quando o pagamento é feito, mesmo que haja três a cinco donos de direitos.

As formas com que donos de direitos de filmes podem usar a Cineverse vão desde a venda de edições colecionáveis limitadas até ter o filme sempre à venda.

“E se você comprar um filme, você realmente é dono dele. O filme é seu. Não existe acordo de licença. Em cinco anos eles não podem tirar da sua biblioteca como na Apple TV. Você pode usar ele você mesmo, você pode dar de presente para um amigo ou pode revender no mercado secundário,” explicou Lugol. Além disso, ao fazer uma revenda, uma pequena porcentagem retorna para o dono dos direitos do filme.

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A plataforma ainda fornecerá dados que permitirão aos usuários rastrear compras e revendas de seus filmes, com dados em tempo real que podem usados para estratégias em campanhas de marketing.

Cineverse está tendo um lançamento prévio nesta quarta-feira em Berlim, já com 300 filmes no catálogo, e terá o lançamento oficial em Cannes, no dia 21 de maio.

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