O Google anunciou nesta quarta-feira (16) que vai limitar o rastreamento de usuários para anúncios no Android. Em broswers e nos apps, usuários deixarão de ser identificados individualmente para anunciantes, na esteira do que a rival Apple já realiza no iOS.

A ideia é suprimir gradualmente o rastreamento através de identificação individual — isto é, focado no comportamento e estilo de vida do usuário — e migrar para um sistema que reduza o compartilhamento desses dados e, no lugar disso, classifique usuários apenas entre grupos de interesse (cohorts).

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O anúncio do Google é uma notícia negativa para empresas que dependem de anúncios direcionados individualmente. Notoriamente a Meta (ex-Facebook) — proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Para se ter uma ideia, somente por conta da mudança no regime de publicidade da Apple, a empresa de Mark Zuckerberg espera perder mais de US$ 10 bilhões (em torno de R$ 50,2 bi) em vendas de anúncios neste ano. De fato, os efeitos em curto prazo para a Meta vieram ainda no início do dia, com suas acumulando baixa diária de 2,09% na Bolsa de Nova York hoje (16/02). O mesmo se deu com Snap, Twitter e Pinterest.

Novo modelo ainda em discussão

Por enquanto, o Google deu poucos detalhes de como o novo sistema funcionaria no Android. Em publicação no blog oficial, o vice-presidente de gerenciamento de produtos para segurança e privacidade do Android, Anthony Chavez, explica que a empresa já começou a buscar feedback sobre suas alternativas de anúncio que visam proteger melhor a privacidade dos usuários e “conter vigilância secreta”.

“Na web, os cookies de terceiros têm sido uma ferramenta valiosa para editores, desenvolvedores e anunciantes”, argumentou o executivo. “No Android, os identificadores individuais de publicidade desempenham um papel semelhante. Esses sistemas foram construídos há muito tempo e foram bem-sucedidos no suporte aos ecossistemas móveis e da web, mas como acontece com outras tecnologias que envelhecem com o tempo, é fundamental que evoluir e desenvolver novas abordagens.”

O Google também afirmou que os testes começarão nos próximos meses e a versão beta para Android deve estar disponível antes do fim de 2022. Ao mesmo tempo, a empresa continuará dando suporte ao sistema tradicional de anúncios — chamado de “Adid” — por mais dois anos antes de retirá-lo da ativa. A empresa disse ainda que vai trabalhar com fabricantes de aplicativos como o Snap e a Activision Blizzard para projetar ferramentas com suporte a anúncios direcionados e cliques de registro, limitando o acesso a informações pessoais.

Imagem: Solarseven/Shutterstock

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